Porto Velho (RO)11 de Setembro de 202622:58:33
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Saúde

SGC TV: 86% dos brasileiros se automedicam, e inteligência artificial agrava o problema

Prática comum pode causar intoxicações, mascarar doenças graves e até levar à morte; deepfakes de médicos falsos crescem nas redes sociais


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A automedicação é um hábito enraizado na cultura brasileira. Dados do Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade (ICTQ) apontam que 86% dos brasileiros já consumiram medicamentos sem orientação médica. O país registra cerca de 20 mil mortes por ano relacionadas ao uso indiscriminado de remédios — aproximadamente 50 óbitos por dia.

A prática é apontada pelo Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas (Sinitox) como a principal causa de intoxicação no Brasil. Em 2022, mais de 14 mil pessoas foram internadas por intoxicação medicamentosa, um aumento de 18% em relação ao ano anterior.

Um dos principais riscos da automedicação é a capacidade de esconder sintomas de doenças graves. Ao suprimir dores ou febre com analgésicos, o paciente pode adiar a busca por atendimento e comprometer o diagnóstico precoce de condições como apendicite ou problemas cardíacos.

Pesquisa do Opinion Box realizada em março de 2026 com mil entrevistados mostrou que 42% dos brasileiros recorrem diretamente a medicamentos que já conhecem ao sentir os primeiros sintomas. Outros 38% afirmam que primeiro se automedicam e só procuram um médico se não houver melhora.

Novas ameaças: médicos falsos criados por inteligência artificial

O avanço da inteligência artificial adicionou uma camada extra de risco ao problema. Uma investigação da BBC News Brasil revelou que 29 canais em português dedicados a falsos médicos de IA acumulavam mais de 70 milhões de visualizações. A produção era industrial: cerca de dez vídeos novos por dia.

Uma análise do Ministério da Saúde identificou 97 perfis com esse tipo de conteúdo entre janeiro e julho de 2026. Os vídeos usam avatares de aparência humana como médicos, atribuem qualificações profissionais inexistentes e empregam linguagem alarmista para vender produtos e livros digitais.

Em setembro de 2026, a Advocacia-Geral da União (AGU) notificou o YouTube para que removesse ou sinalizasse esses conteúdos em até 72 horas. O governo também encaminhou o caso à Polícia Federal e ao Conselho Federal de Medicina.

Entre os medicamentos mais utilizados de forma indiscriminada estão analgésicos, anti-inflamatórios e antibióticos. O uso incorreto de antibióticos para tratar viroses e resfriados — condições para as quais não são indicados — favorece o desenvolvimento de bactérias resistentes.

O Ministério da Saúde alerta que o uso abusivo desses produtos compromete a eficácia dos tratamentos e cria superbactérias, tornando infecções simples em casos de difícil controle.

Medicamentos isentos de prescrição também oferecem riscos

Mesmo os remédios vendidos sem receita, os chamados MIPs (Medicamentos Isentos de Prescrição), não são isentos de perigo. Eles atendem a critérios de segurança para comercialização, mas ainda podem provocar efeitos adversos, reações alérgicas e interações medicamentosas.

Dados do Sinitox mostram que 97% dos domicílios brasileiros possuem pelo menos um medicamento estocado, com média de 20 itens por casa. Cerca de 55% desses produtos foram adquiridos sem prescrição, e 25% estavam vencidos — destes, 24% continuavam sendo usados.

A orientação é buscar sempre um profissional de saúde antes de tomar qualquer medicamento. O farmacêutico, em especial, tem papel fundamental na orientação sobre uso correto, interações e riscos.

Para conteúdos encontrados na internet, a recomendação é verificar a fonte. Vídeos em que supostos médicos recomendam tratamentos milagrosos ou produtos sem registro devem ser tratados como suspeitos. O Conselho Federal de Medicina disponibiliza uma ferramenta para consulta de médicos registrados.

Natália Figueiredo - Portal SGC


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