Porto Velho (RO)11 de Setembro de 202622:59:53
EDIÇÃO IMPRESSA
Saúde

SGC TV: Dor de cabeça frequente: quando o sintoma deixa de ser comum e exige investigação médica

Levantamento inédito aponta que 27 milhões de brasileiros podem ter enxaqueca sem diagnóstico; automedicação é apontada como risco por especialistas


Imagem de Capa

Foto: Reprodução

PUBLICIDADE

A dor de cabeça é uma das queixas médicas mais frequentes no Brasil e no mundo. Dados da Sociedade Brasileira de Cefaleia indicam que 95% das pessoas terão ao menos um episódio na vida, e cerca de 70% das mulheres e 50% dos homens enfrentam o problema pelo menos uma vez ao mês. Apesar da prevalência, especialistas alertam que o sintoma ainda é tratado com negligência por boa parte da população.

Um levantamento inédito denominado Radar da Enxaqueca no Brasil, realizado pela farmacêutica Teva Brasil com apoio da Associação Brasileira de Cefaleia em Salvas e Enxaqueca (ABRACES), revelou que aproximadamente 23 milhões de brasileiros têm diagnóstico de enxaqueca. Outros 27 milhões podem conviver com a doença sem nunca ter passado por avaliação médica.

Impacto no sistema de saúde

Os números refletem no sistema público de saúde. Entre 2016 e 2025, o Brasil registrou 105.266 internações por enxaqueca e outras síndromes cefálicas, segundo estudo publicado na revista Headache Medicine. A taxa nacional de hospitalização subiu de 4,01 para 6,21 por 100 mil habitantes no período. A região Norte apresentou a tendência de crescimento mais acentuada, com aumento anual de 15,46%.

Outro levantamento, que analisou dados do DATASUS entre 2015 e 2025, apontou que as internações por migrânea e outras cefaleias cresceram 63,4%, enquanto os gastos hospitalares aumentaram 152,3%. A região Nordeste concentrou o maior gasto acumulado, e a região Norte registrou o maior crescimento percentual nos custos, de 791,8%.

Tipos de cefaleia e sintomas

As cefaleias são classificadas em dois grandes grupos. As primárias são aquelas em que a dor de cabeça é a própria doença, como a enxaqueca, a cefaleia tensional e a cefaleia em salvas. Já as secundárias resultam de outras condições médicas, como infecções, problemas vasculares, traumatismos cranianos ou tumores cerebrais.

A enxaqueca é uma doença neurológica crônica caracterizada por crises recorrentes de dor pulsátil, geralmente em um lado da cabeça, de intensidade moderada a grave. As crises podem durar de 4 a 72 horas e costumam vir acompanhadas de náusea, vômito e sensibilidade à luz e ao som. Cerca de um terço dos pacientes apresenta aura, que são sintomas neurológicos transitórios como luzes piscando ou pontos cegos que antecedem a dor.

A cefaleia tensional é a mais comum entre as primárias. A dor é descrita como uma pressão ou aperto ao redor da cabeça, semelhante a uma faixa apertada, geralmente bilateral e de intensidade leve a moderada. Não costuma ser acompanhada de náusea ou vômito. Fatores como estresse, má postura, ansiedade e uso prolongado de telas estão entre os principais gatilhos.

Já a cefaleia em salvas, embora menos frequente, produz algumas das dores mais intensas. Ela causa dor estritamente unilateral, centrada ao redor ou atrás de um dos olhos, frequentemente acompanhada de sintomas como vermelhidão, lacrimejamento e congestão nasal do mesmo lado da dor. As crises duram entre 15 e 180 minutos e ocorrem em séries, com múltiplos episódios por dia durante semanas ou meses.

Subdiagnóstico e automedicação

O levantamento Radar da Enxaqueca identificou que a falta de diagnóstico é maior no Nordeste, onde atinge 35% dos casos, nove pontos acima da média nacional de 26%. Entre os indivíduos com sintomas, mas sem diagnóstico, 56% têm até 39 anos. As mulheres representam 75% dos diagnosticados e 63% do grupo sem diagnóstico.

A automedicação é apontada como um dos principais obstáculos ao tratamento adequado. Segundo a Academia Brasileira de Neurologia, oito a cada dez pessoas que sofrem de dor de cabeça se automedicam. O uso constante e excessivo de analgésicos pode tornar crônica uma dor que antes era esporádica, fenômeno conhecido como cefaleia por uso excessivo de medicamentos ou efeito rebote.

A pesquisa também revelou que 70% dos portadores de enxaqueca não fazem nenhum tipo de acompanhamento médico, e 64% tomam medicamentos sem receita para aliviar a dor. Mais de 40% só tratam a crise quando ela já comprometeu completamente o dia, ignorando a existência de tratamentos preventivos.

Quando procurar ajuda médica

A Academia Brasileira de Neurologia orienta que pacientes com três ou mais dores de cabeça por mês, durante três meses seguidos, devem procurar avaliação especializada. O diagnóstico das cefaleias primárias é clínico, baseado no relato dos sintomas e no histórico do paciente. Exames de imagem, como tomografia ou ressonância magnética, são indicados principalmente para investigar cefaleias secundárias.

Alguns sinais exigem atendimento médico imediato, como dor de cabeça súbita e intensa que atinge o pico em segundos, febre acompanhada de rigidez no pescoço, déficits neurológicos como fraqueza ou dificuldade para falar, e dor de cabeça que surge após os 50 anos ou que representa mudança significativa no padrão habitual.

O tratamento da enxaqueca envolve tanto medicamentos para alívio das crises quanto opções preventivas, que incluem betabloqueadores, anticonvulsivantes, anticorpos monoclonais anti-CGRP e toxina botulínica em casos crônicos. Mudanças no estilo de vida também fazem parte da abordagem, com destaque para a manutenção de horários regulares de sono, alimentação equilibrada, hidratação adequada e prática regular de exercícios físicos.

Natália Figueiredo - Portal SGC


NOTÍCIAS RELACIONADAS

Últimas notícias de Saúde