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Deputada da Austrália tem pernas amputadas após ser atropelada

Polícia investiga possível ataque direcionado contra Helen Haines; suspeito Brendan Nugent, de 43 anos, foi detido e compareceu a tribunal


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Mick Tsikas/AAP Image/AP via CNN Newsource

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A deputada australiana Helen Haines, que foi atropelada por um veículo em um suposto ataque deliberado, teve as duas pernas amputadas, segundo anunciou o marido dela, Phil Haines, nesta quarta-feira (21).

Haines, que é deputada federal independente, permanece em estado estável no hospital após o caso, que ocorreu na segunda-feira (20), no meio da tarde, em uma via principal nas proximidades de seu escritório eleitoral em Wangaratta, no nordeste de Victoria.

"A perna esquerda de Helen foi amputada na segunda-feira. Tínhamos a esperança de que a direita pudesse ser salva, mas... os cirurgiões também tiveram de amputá-la", declarou Phil Haines, marido da deputada há quase 40 anos, em uma coletiva de imprensa no hospital Alfred, em Melbourne.

"Tanto seu coração quanto sua mente estão em bom estado", acrescentou.

Na segunda, a parlamentar, de 65 anos, estava retirando objetos do porta-malas do carro dela quando um homem passou por ela, antes de, supostamente, dar meia-volta e prensá-la contra o próprio veículo. Não se sabe o motivo do ocorrido.

Enquanto pessoas que estavam na rua corriam para ajudá-la, um barbeiro da região retirou o motorista do carro e o conteve até a chegada da polícia. Haines foi levada imediatamente de helicóptero para Melbourne, onde passaria por uma cirurgia.

Política popular e respeitada em Canberra, ela representa sua comunidade como deputada independente desde 2019.

Em declarações feitas após as de Phil Haines na mesma coletiva de imprensa, a governadora-geral Sam Mostyn disse que mantinha o rei Charles III informado sobre os acontecimentos.

A governadora-geral é nomeada pelo rei como chefe de Estado formal da Austrália, embora o país seja governado por um primeiro-ministro sob um sistema parlamentarista.

"A Austrália ainda está chocada e consternada com este ataque terrível. Sei que aqui, em Victoria em particular, as pessoas estão simplesmente atônitas e têm muita dificuldade em compreender a magnitude desta tragédia", disse Mostyn.

Enquanto a pilha de buquês de flores crescia em frente ao escritório eleitoral de Haines, seu marido pediu às pessoas que considerassem fazer doações em vez disso.

"Ela adora flores, mas é um pouco difícil cuidar de tantos buquês", pontuou Phil.

"Pedimos àqueles que desejam apoiar Helen financeiramente que façam uma doação ao Fundo Save the Children", adicionou.

Suspeito comparece a tribunal na Austrália

O suposto agressor, Brendan Nugent, de 43 anos, compareceu a um tribunal nesta quarta-feira, acusado de direção perigosa resultando em lesões graves, de causar intencionalmente lesões graves e de causar danos a uma funcionária pública da Commonwealth.

Na audiência judicial, que foi bastante breve, o advogado de Nugent afirmou que ele sofria de uma condição neurológica rara e que, no momento, não estava sob medicação.

Não foi apresentado nenhum pedido de liberdade sob fiança, e a próxima audiência está marcada para o dia 4 de fevereiro.

Sessões informativas sobre segurança

Embora a polícia ainda precise determinar se o caso teve motivações políticas, o suposto ataque chocou o país e colocou em foco a segurança de seus líderes políticos.

Os integrantes do Parlamento receberam, nesta quarta-feira, em Canberra, sessões informativas detalhadas sobre segurança, enquanto a comissária da Polícia Federal Australiana apontava para o aumento das denúncias de assédio e ameaças contra parlamentares federais.

As autoridades observavam "uma crescente polarização política e um sentimento antigovernamental, bem como comportamentos impulsionados por teorias da conspiração e ressentimentos", declarou a comissária Krissy Barrett em uma coletiva de imprensa.

"Indivíduos agindo sozinhos, motivados por uma combinação de ressentimentos pessoais, vulnerabilidades de saúde mental e preocupações ideológicas", estavam contribuindo para essa tendência de alta, acrescentou.

O comissário-chefe da Polícia de Victoria, Mike Bush, disse que a polícia não dispunha de informações de inteligência sobre o suposto agressor de Haines que indicassem um risco iminente.

CNN Brasil


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