O descongelamento do permafrost, solo que permanece congelado por longos períodos, está provocando a liberação de metais em rios do Alasca, nos Estados Unidos. No rio Salmon, pesquisadores encontraram concentrações de alguns elementos até 70 vezes maiores do que as registradas em trechos sem influência da contaminação.
O estudo, publicado em 24 de setembro na revista AGU Advances, foi conduzido por cientistas da Universidade da Califórnia em Davis. Entre 2022 e 2024, os pesquisadores coletaram amostras em seis bacias da cordilheira Brooks e analisaram a composição da água antes e depois da entrada dos contaminantes.
Como o degelo contamina os rios
As alterações começaram a chamar a atenção dos cientistas em 2018, quando manchas alaranjadas semelhantes à ferrugem foram observadas nos rios. A coloração está relacionada ao ferro liberado após o descongelamento do solo.
Com o permafrost descongelado, a água consegue alcançar minerais que antes estavam isolados. O contato com água e oxigênio provoca reações que aumentam a acidez e liberam metais como ferro, zinco, níquel e cádmio.
Depois disso, a água contaminada chega aos rios e pode transportar esses elementos por longas distâncias. No estudo, os efeitos foram identificados a mais de 100 quilômetros dos pontos onde a contaminação entrou nos cursos d’água.
Quais são os riscos?
O aumento de até 70 vezes representa o maior nível registrado no estudo e não significa que todos os metais tenham aumentado na mesma proporção.
Nos rios principais, a capacidade natural de neutralizar a acidez ajudou a manter o pH relativamente estável, mesmo com a presença dos contaminantes.
Ainda não foram identificados casos de mortalidade em massa de peixes ou problemas na qualidade da água potável que estejam afetando diretamente as comunidades locais. Mesmo assim, os pesquisadores consideram preocupante a expansão do fenômeno devido aos possíveis impactos sobre os organismos aquáticos e as populações que dependem dos rios e da pesca.
Metrópoles