Um estudo realizado com tubarões-galha-preta (Carcharhinus limbatus) mostrou que os animais conseguem detectar sons de baixa frequência a até 74 metros de distância. A pesquisa também indica que eles são capazes de identificar de onde o som está vindo.
O trabalho foi conduzido por pesquisadores da Universidade Atlântica da Flórida, em águas rasas do condado de Palm Beach, nos Estados Unidos. Os resultados foram publicados em junho na revista científica Integrative Organismal Biology.
Segundo os pesquisadores, o estudo é o primeiro a apresentar evidências quantificadas de que tubarões nadando livremente conseguem perceber e reagir a sons produzidos no chamado campo acústico distante.
Como os testes foram feitos
Durante o experimento, os pesquisadores instalaram um alto-falante debaixo d'água para emitir sons em diferentes faixas de frequência. Foram utilizados sons entre 100 e 200 Hz, 200 e 400 Hz e 400 e 800 Hz. Uma frequência de 10 kHz foi usada como controle.
A intenção não era atrair os tubarões, mas produzir sons fortes o suficiente para provocar uma reação de alerta nos animais.
Hidrofones foram utilizados para medir a intensidade dos sons em diferentes pontos, enquanto drones acompanhavam os movimentos dos tubarões a uma altura de 40 a 50 metros. Com as imagens, os cientistas conseguiram calcular a distância dos animais em relação ao alto-falante.
Tubarões mudaram de direção
Os pesquisadores observaram respostas às três faixas de baixa frequência. Os tubarões chegaram a se afastar até 74 metros da fonte sonora e não apresentaram reação à frequência mais alta utilizada como controle.
Mais de 70% das reações registradas ocorreram no campo acústico distante. Os animais demonstraram maior sensibilidade aos sons de baixa frequência, que foram percebidos a distâncias maiores e com menor intensidade.
Além de reagirem ao ruído, os tubarões alteraram a direção do deslocamento e nadaram para longe do alto-falante. Para os pesquisadores, esse comportamento indica que eles conseguiram perceber tanto a presença do som quanto sua origem.
Segundo Stephen Kajiura, autor sênior do estudo e professor de ciências biológicas da Faculdade de Ciências Charles E. Schmidt, da FAU, o resultado é relevante porque as respostas ocorreram além do campo acústico próximo à fonte.
Os autores avaliam que os tubarões podem estar detectando o movimento das partículas associado ao som mesmo a distâncias consideráveis.
Metrópoles