O ex-padre Fábio Amaro, que havia sido absolvido da acusação de estupro em agosto de 2025, teve a decisão revertida e foi condenado a nove anos e seis meses de prisão. A nova sentença foi emitida nesta terça-feira (18) pelo Tribunal de Justiça do Acre (TJ-AC).
Além da pena de reclusão, a decisão determina que Amaro pague R$ 10 mil à vítima por danos morais. O ex-padre poderá recorrer em liberdade, e a condenação ainda está sujeita a recurso.
Os crimes analisados no processo teriam ocorrido entre 2008 e 2009, quando Amaro era pároco em Rio Branco. Na época, a vítima tinha cerca de 16 anos. Uma segunda denúncia foi apresentada por uma jovem de 18 anos que também se confessava com o religioso, mas esse caso foi considerado prescrito. Amaro respondeu criminalmente apenas pela acusação envolvendo o rapaz.
Recurso mudou decisão anterior
Em 30 de agosto de 2025, a 2ª Vara da Infância de Rio Branco havia absolvido Amaro por falta de provas. A decisão considerou que os relatos de testemunhas eram insuficientes e que não havia documentos capazes de demonstrar efeitos decorrentes do crime sobre a vítima.
O Ministério Público do Acre recorreu da sentença, e o caso voltou a ser analisado pela Justiça. Na nova decisão, a absolvição foi revertida e o ex-padre acabou condenado.
A vítima, que pediu para não ser identificada, afirmou que a sentença representa um reconhecimento da gravidade do que teria sofrido durante a adolescência.
"Depois de tanta dor finalmente houve um reconhecimento pela Justiça de que aquilo que eu denunciava era sério", afirmou.
O jovem também criticou a postura adotada pela Diocese de Rio Branco diante das denúncias. Segundo ele, a instituição teria colocado sua palavra em dúvida e priorizado a proteção institucional.
Para a vítima, a condenação é um passo importante, mas não pode ser considerada uma vitória, já que não apaga as consequências do que aconteceu.
Denúncias vieram a público em 2023
As acusações contra Fábio Amaro se tornaram públicas em maio de 2023, quando a Polícia Civil do Acre informou que havia indiciado o então padre por suspeita de abuso sexual.
O Ministério Público do Acre apresentou denúncia pelo crime de estupro contra menor de 18 anos. A acusação foi recebida pela Justiça em novembro daquele ano e, em dezembro, Amaro passou a responder como réu.
Diocese pediu afastamento do religioso
Na época das denúncias, a Diocese de Rio Branco afirmou que havia solicitado o afastamento de Amaro assim que tomou conhecimento dos relatos.
Segundo o então bispo da diocese, Dom Joaquín Pertiñez, o religioso teria sido confrontado sobre as acusações e, de acordo com o relato do bispo, admitido os crimes. Diante disso, teria sido orientado a renunciar ou poderia ser excomungado.
Amaro, por sua vez, negou conhecer as vítimas e afirmou não ter conhecimento do acordo mencionado pelo bispo. Ele teria apresentado a renúncia e justificado a decisão pela necessidade de deixar o estado após a morte do pai.
Sobre a ausência de uma denúncia à Polícia Civil na época, Dom Joaquín afirmou que seguia um protocolo do Vaticano segundo o qual as vítimas deveriam apresentar uma denúncia por escrito. De acordo com o religioso, elas não quiseram prosseguir com o caso naquele momento.
G1 Acre