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O retorno de Felca ao YouTube, anunciado para a madrugada desta terça-feira (20), gerou frustração entre parte do público. Após meses afastado das redes sociais e mais de um ano sem publicar vídeos na plataforma, o influenciador voltou com um depoimento pessoal sobre bullying, fobia social e dependência de álcool. A escolha do tema desagradou internautas que esperavam um conteúdo relacionado à política, especialmente às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais.
A expectativa ganhou força após Felca anunciar o retorno na segunda-feira (19), com a frase "Eu me escondi por tempo demais". Nas redes sociais, parte dos usuários especulou que o novo vídeo poderia trazer denúncias ou posicionamentos sobre os candidatos à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Com a publicação do conteúdo, a ausência de uma abordagem política provocou críticas e manifestações de decepção entre internautas. O vídeo, no entanto, foi dedicado à experiência pessoal do criador de conteúdo e às dificuldades enfrentadas por ele ao longo da vida.
O depoimento de Felca
No vídeo, Felipe Bressanim Pereira, conhecido como Felca, relata ter desenvolvido fobia social após enfrentar situações de bullying e traumas durante a infância e o período escolar. O influenciador também apresenta um laudo relacionado ao transtorno e explica como a condição afetou sua vida adulta e suas relações interpessoais.
Um dos pontos abordados é o uso de álcool para enfrentar situações sociais, como eventos, palestras e gravações. Felca conta que recorria à vodca antes de compromissos profissionais para conseguir interagir com outras pessoas.
"Eu bebia três doses em casa, mais ou menos. Enchia esse cantil de vodca e ia bebendo conforme eu ia sentindo que ainda não conseguia. Em todos os programas que fui, lá estava ele comigo no meu bolso", relata.
O youtuber afirma que, com o tempo, percebeu que dependia da bebida para sair de casa e participar de atividades profissionais. "Eu bebia só pra enfrentar pessoas", diz. Ele também conta que passou a se reconhecer como alcoólatra diante da frequência de eventos, participações em programas, parcerias e gravações.
Segundo o influenciador, o consumo de álcool contribuiu para um acidente em que ele quebrou duas costelas após beber para conseguir participar de uma gravação externa.
Para lidar com a fobia social, Felca relata que começou a se expor gradualmente a situações que antes evitava. No vídeo, ele apresenta o desafio "SimFel", uma proposta para que os seguidores, durante três meses, aceitem oportunidades que normalmente recusariam por medo ou desconforto em interações sociais. A iniciativa busca incentivar os participantes a sair de casa, conhecer pessoas e experimentar novas situações.
Felca também conta que, até a gravação do depoimento, havia passado cinco meses sem sair de casa. Segundo ele, a exposição gradual é parte do processo para que o corpo se acostume a situações sociais sem interpretá-las como ameaças.
Ao final, o influenciador agradece o apoio dos seguidores e fala sobre o desejo de estabelecer conexões. Mesmo com a fobia social sob controle, ele afirma que se relacionar com outras pessoas ainda representa um desafio.
"Hoje, se tem algo de que eu sinto mais falta ainda, é conexão com pessoas. Mesmo com a minha fobia social controlada, me relacionar ainda é um desafio", declara.
Felca também incentiva os seguidores a falar com ele caso o encontrem na rua, demonstrando o desejo de ampliar suas experiências sociais.
Repercussão nacional
Felca ganhou projeção nacional em agosto de 2025, após publicar um vídeo sobre a adultização e a exposição de crianças e adolescentes na internet. O conteúdo, divulgado em 6 de agosto daquele ano, ultrapassou 50 milhões de visualizações e abordou supostas práticas de exploração de menores em conteúdos digitais, incluindo acusações envolvendo Hytalo Santos.
Em fevereiro de 2026, Hytalo Santos e o marido, Israel, conhecido como Euro, foram condenados em primeira instância pelo Tribunal de Justiça da Paraíba por exploração de conteúdo pornográfico envolvendo adolescentes. Hytalo recebeu pena de 11 anos e quatro meses de prisão, enquanto Israel foi condenado a oito anos e dez meses. A decisão também estabeleceu o pagamento de R$ 500 mil em indenização por danos morais.
Só pra não perder o costume https://t.co/YVEaVqQDa9
— Nandx (@nandx_rejected) October 20, 2026
Portal SGC