Porto Velho (RO)24 de Junho de 202616:47:42
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Saúde

Gel experimental faz porcos voltarem a andar após lesão na medula

Tratamento ajudou a reconectar fibras nervosas em animais com medula espinhal totalmente seccionada


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imageBROKER/Stefan Huwiler/Getty Images

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Três porcos que tiveram a medula espinhal completamente seccionada voltaram a andar após receber um gel experimental desenvolvido por pesquisadores russos. O tratamento, descrito em um estudo publicado na revista PLOS One em 10 de junho, ajudou a reconectar fibras nervosas rompidas e restaurou parte das funções perdidas após a lesão.

A pesquisa foi conduzida por cientistas do Instituto Sklifosovsky de Medicina de Emergência, em Moscou, e buscou reproduzir um mecanismo encontrado em alguns animais invertebrados, capazes de unir nervos lesionados de forma natural.

Os pesquisadores afirmam que os resultados mostram ser possível restaurar conexões nervosas mesmo após uma lesão completa da medula espinhal. Apesar disso, a técnica ainda precisa passar por novas etapas de pesquisa antes de ser avaliada em seres humanos.

Como funciona o gel?

Quando a medula espinhal é cortada, as extremidades lesionadas se afastam e uma cicatriz se forma na região. Essa barreira dificulta a regeneração das fibras nervosas e impede que os sinais do cérebro alcancem partes do corpo abaixo da lesão.

Para tentar contornar o problema, os pesquisadores desenvolveram um gel capaz de preencher o espaço entre as extremidades da medula e favorecer a reconexão dos tecidos nervosos.

O produto combina polietilenoglicol, substância já utilizada na medicina, e quitosana, um polímero de origem biológica. Juntos, os compostos formam um material projetado para unir novamente membranas nervosas danificadas.

Recuperação dos movimentos

O experimento envolveu cinco porcas da raça Mangalica Húngara. Todas passaram por cirurgia para seccionar completamente a medula espinhal. Três delas receberam o gel experimental na região lesionada, enquanto as outras duas foram submetidas ao mesmo procedimento, mas sem a aplicação do tratamento.

Após a cirurgia, todos participaram do mesmo programa de reabilitação, que incluía massagens diárias nas patas e estimulação elétrica muscular.

Em apenas dois dias, os animais tratados já apresentavam sinais de recuperação da sensibilidade. No quinto dia, haviam recuperado o controle da bexiga.

Dois meses após a cirurgia, os três porcos tratados conseguiam ficar em pé sozinhos e caminhar usando os quatro membros. Já os animais que não receberam o gel não apresentaram recuperação dos movimentos.

Ao analisar os tecidos lesionados, os pesquisadores observaram diferenças importantes entre os grupos. Nos animais não tratados, havia formação de cicatrizes extensas, cistos preenchidos por líquido e degeneração das terminações nervosas.

Nos porcos que receberam o gel, por outro lado, os cientistas identificaram fibras nervosas atravessando a área lesionada, sinal de que conexões haviam sido restabelecidas.

Segundo os autores, a melhora rápida observada sugere que a recuperação inicial não ocorreu apenas pela regeneração de novos axônios, mas também pela fusão de fibras nervosas rompidas.

Próximos passos

Apesar dos resultados animadores, os pesquisadores destacam que o tratamento ainda está em fase experimental. Antes que a técnica possa ser testada em seres humanos, serão necessários novos estudos para confirmar sua eficácia e segurança em outros modelos animais.

Ainda assim, para o autores, o trabalho reforça a possibilidade de que nervos gravemente danificados possam ser reconectados, uma perspectiva que há muito tempo representa um dos maiores desafios da medicina voltada às lesões da medula espinhal.

Metrópoles


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