Porto Velho (RO)28 de Fevereiro de 202618:57:36
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Rondônia

Assédio contra mulheres: espaços públicos são o principal cenário de violência no Brasil

Pesquisa nacional inédita revela que 56% das mulheres sofreram assédio em ruas e praças; transporte público aparece em segundo lugar, com 51% dos rela


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Levantamento realizado pelo Instituto Cidades Sustentáveis com 3.500 internautas de 16 anos ou mais, moradoras de dez capitais brasileiras, traz um retrato alarmante da violência de gênero no país. Os dados indicam que mais da metade das mulheres (56%) já sofreram assédio em espaços públicos, como ruas, praças, parques ou praias .

O estudo, que ouviu mulheres em Manaus, Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Velho e Goiânia, revela que o problema atravessa diferentes ambientes da vida cotidiana. Em segundo lugar está o transporte coletivo, onde 51% das entrevistadas relatam ter sido vítimas de assédio dentro de ônibus, trens ou metrôs . O ambiente de trabalho foi citado por 38% das participantes, enquanto bares e casas noturnas aparecem com 33%. O assédio também ocorre dentro de casa: 28% mencionaram situações no ambiente familiar, e 17% em transportes particulares, como mototáxi, táxi e aplicativos .

Jovens e mulheres com maior escolaridade são as mais expostas

A pesquisa evidencia que a vulnerabilidade feminina tem corredores específicos. Entre jovens de 16 a 24 anos, o índice de assédio em espaços públicos dispara para 69% . Mulheres com ensino superior também relatam exposição acima da média (63%), mesmo percentual observado entre aquelas que se declaram ateias ou sem religião .

Nos transportes públicos, o recorte por escolaridade se repete: 59% das mulheres com diploma universitário afirmam já terem sido assediadas nesse ambiente. O índice também é elevado (58%) entre mulheres que possuem, convivem ou se relacionam com alguém com deficiência .

O retrato da violência em Rondônia

Fora das capitais pesquisadas, a realidade de Rondônia escancara a gravidade da violência de gênero. Dados da Secretaria de Segurança Pública mostram que o estado registrou 25 casos de feminicídio em 2025, com uma concentração preocupante: entre janeiro e julho, as ocorrências subiram 112% em relação ao mesmo período do ano anterior .

Porto Velho lidera os registros, com seis casos no período analisado, seguida por Presidente Médici e Ji-Paraná. O perfil das vítimas segue o padrão nacional: a maioria tinha entre 18 e 44 anos, e em 84% dos casos o agressor era companheiro ou ex-companheiro . A residência da vítima ou do agressor foi o local do crime em 64% das ocorrências.

Paralelamente, as denúncias de violência doméstica formalizadas cresceram de 556 em 2023 para 606 em 2024, segundo o Observatório de Segurança Pública . Apesar dos indicadores críticos, Rondônia ainda não aderiu ao Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio, lançado em fevereiro de 2026 para integrar ações de prevenção e enfrentamento à violência letal contra mulheres .

Violência sexual contra vulneráveis preocupa

Outro dado que acende alerta no estado é a incidência de estupro de vulnerável — crime cometido contra menores de 14 anos ou pessoas sem capacidade de consentimento. Em 2025, Rondônia registrou 1.236 casos, uma taxa de 70,55 por 100 mil habitantes, uma das maiores do país . De acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, familiares, conhecidos e pessoas próximas da vítima são os principais agressores, e a maioria dos crimes ocorre dentro de casa .

Ambiente de trabalho concentra aumento de denúncias

Se as ruas são hostis, o ambiente profissional também tem se mostrado um território de violência contra a mulher. Dados da Justiça do Trabalho indicam que, em 2025, foram recebidos 12.813 novos processos por assédio sexual, um aumento de 40% em relação a 2024 . Os casos de assédio moral somaram 142.828, alta de 22% no mesmo período.

Para o ministro do Tribunal Superior do Trabalho, Agra Belmonte, o crescimento das ações judiciais reflete uma maior conscientização social. "Muita gente não sabia explicar direito ou até entender que estaria sofrendo assédio", observa . Ele defende que as empresas adotem políticas claras de prevenção, com canais sigilosos de denúncia, para que a vítima se sinta segura para se manifestar .

Transporte público ganha atenção do Legislativo

Em resposta aos dados alarmantes, a Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado aprovou no final de fevereiro um projeto que garante a mulheres que viajam sozinhas o direito de optar por sentar ao lado de outra passageira no transporte coletivo . A medida integra um pacote de propostas voltadas à proteção feminina, incluindo a instituição da Agenda Transversal das Mulheres na administração pública, que busca integrar órgãos e políticas para combater desigualdades e violência .

Metodologia

O estudo do Instituto Cidades Sustentáveis é quantitativo, com entrevistas online realizadas em painel de internautas residentes há pelo menos dois anos nas capitais pesquisadas, abrangendo as classes ABCDE. Como a distribuição da amostra por capital foi desproporcional, os resultados passaram por ponderação estatística para restabelecer a proporcionalidade entre as áreas e o perfil das respondentes, com controle de cotas por sexo, idade, classe social e ocupação .













Natália Figueiredo - Portal SGC com informações do Instituto Cidades Sustentáveis


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