Porto Velho (RO)05 de Novembro de 202615:31:16
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Senadora pede condenação de Peña para evitar que ele fuja "como Bolsonaro"

Apesar da renúncia, pedido de impeachment contra Peña foi aprovado pela Câmara e agora segue para o Senado do país


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Reprodução/ABC TV

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Durante reunião mista no Senado do Paraguai nesta quinta-feira (5/11), a senadora Esperanza Martinez afirmou a necessidade de que as autoridades do país ajam com rapidez em uma eventual condenação do presidente Santiago, Peña, para evitar que ele fuja do país como "ocorreu com Bolsonaro".

Reunião realizada no Congresso do Paraguai com diversos partidos do país discutiam o pedido de impeachment contra o presidente do país. Penã entrou no radar de um processo para ser retirado do cargo após a crise desencadeada pelo Ueno Bank, instituição financeira digital que fechou as portas nesta semana.

"Que ele seja formalmente acusado para que não saia do país e que seus bens sejam confiscados, afinal, existe o risco de acontecer o mesmo que ocorreu com Bolsonaro — que, com ajuda internacional, acabe hoje em algum lugar onde a Justiça paraguaia não consiga encontrá-lo. É preciso ser rápido, é preciso ser certeiro, e o Ministério Público tem que parar de enrolar, pois já faz tempo que tem em mãos o pedido de acusação contra o Presidente da República e não tomou providências", disse Martinez.

A mençã0 da senadora paraguaia se refere ao senador Flávio Bolsonaro (PL) que fugiu do Brasil na última semana após perder as eleições presidenciais para Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O parlamentar brasileiro deixou o país em uma rota entre a Argentina e o Equador, rumo aos Estados Unidos, onde está estabelecido desde então.

A partida de Flávio para outro país implicou em descumprimento de decisão judicial pelo senador, que havia sido impedido de deixar o Brasil após a suspeita de fuga apontada pela Polícia Federal (PF). O político é investigado em três processos diferentes conduzidos pela PF. Entre eles, por suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

A correlação com o caso de Flávio Bolsonaro voltou a ser mencionada mais tarde, durante votação na Câmara do Paraguai, que votou o pedido de impeachment de Santigo Peña. Com 78 votos a favor, a Casa Baixa aprovou o pedido de "julgamento político" contra o presidente paraguaio. O tema agora segue para o Senado Federal, onde precisa ser aprovado por dois terços da Casa.

Crise no Paraguai

Santiago Peña, por outro lado, é alvo de um pedido de impeachment no país devido ao seu envolvimento com o Banco. Economista de formação, o mandatário paraguaio foi acionista da Ueno Holding até março de 2025, empresa relacionada ao grupo controlador do banco.

O Banco Central do Paraguai (BCP) determinou pelo fim do Ueno no dia 3 de novembro, por considerá-lo insolvente — quando uma instituição não consegue honrar seus compromissos financeiros. O Ministério Público do Paraguai solicitou ainda uma investigação criminal sobre o banco e pediu pela prisão de dois dirigentes da instituição.

As apurações do MP envolvem suspeitas relacionadas à gestão e a empréstimos concedidos a empresas vinculadas ao grupo controlador, o que teria comprometido o patrimônio do banco. Nesta quinta-feira, o órgão fiscalizador também acatou um pedido de investigação sobre supostos crimes financeiros cometidos por Peña.

O presidente, contudo, antecipou ao avanço do seu pedido de impeachment e decidiu renunciar ao cargo. Agora cabe ao Congresso do país decidir se aceita ou não a renúncia de Santiago Peña, que deve apresentar o pedido formalmente ao legislativo do país.

A imprensa paraguaia, contudo, avalia que os parlamentares devem recusar a denúncia e seguir com o impeachment do presidente, para evitar que ele tenha forro privilegiado. No Paraguai, ao decidir renunciar a um cargo, o presidente tem direito ao cargo de senador vitalício e mantém direitos legislativos.

Metrópoles


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