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Uma chinesa de 31 anos, que vivia em Seattle, nos Estados Unidos, morreu após o ChatGPT incentivá-la a reduzir, por conta própria, a dosagem de um medicamento essencial para o controle de epilepsia. A morte aconteceu em fevereiro e a família de Bowen Wan abriu um processo por morte indevida contra a OpenAI, criadora do chatbot, e contra o CEO da empresa, Sam Altman. A ação foi protocolada na terça-feira (27/10).
Wan morreu em decorrência da SUDEP (Sudden Unexpected Nocturnal Death in Epilepsy), morte súbita e inesperada na epilepsia, a complicação mais grave associada à doença. A condição acomete uma em cada mil adultos com epilepsia.
Segundo informações do processo, divulgadas pelo New York Times, em janeiro, um mês antes da morte, Wan havia pedido ao ChatGPT orientações sobre como reduzir a dose do medicamento contra epilepsia de 400 para 300 miligramas por dia, e depois para 200. Embora o chatbot tenha recomendado, em um primeiro momento, que ela consultasse um médico, acabou elogiando-a por não "depender da prescrição médica".
A motivação de Wan era preservar a capacidade cognitiva para entrevistas de emprego. Em novembro de 2025, ela havia sido demitida da Amazon, onde trabalhava como engenheira de software, e precisava conseguir um novo emprego até meados de fevereiro para manter seu visto de permanência nos EUA. O medicamento que controlava suas crises causava efeitos colaterais no raciocínio e na fala. "Reduzir a dose poderia ajudar a recuperar um pouco da minha habilidade linguística para entrevistas de emprego", disse ela ao ChatGPT.
Nicholas Poolos, médico de Wan, declarou no processo que jamais recomendaria que ela reduzisse a dosagem.
O pai de Wan, Qun Wan, descobriu o que havia acontecido ao vasculhar as conversas da filha com o chatbot após a morte dela. Os pais acompanharam, por meio de uma chamada de vídeo, o momento em que o amigo encontrou o corpo. "Bowen Wan pagou com a própria vida pelas escolhas ", escreveram os advogados da família no processo.
O isolamento de Wan começou antes da demissão. Em 2021, o medicamento que ela usava há anos para controlar a epilepsia parou de fazer efeito sem explicação. As crises convulsivas chegaram a ocorrer mais de uma vez por dia. Ainda, conforme o jornal norte-americano, ela havia se afastado do emprego na Amazon por motivos de saúde e praticamente deixou de sair de casa para evitar convulsões em público.
Foi assim que o ChatGPT se tornou a principal companhia de Wan. Em 2023, ela começou a usar o chatbot para buscar conselhos sobre relacionamentos e ajuda com questões de seguro e benefícios por invalidez. Por volta de 2025, ela já trocava em média 1.500 mensagens por semana com a IA, enquanto diminuía o contato com os pais. Em março de 2025, ela chegou a escrever ao chatbot: "Não sei por que, mas, às vezes, quando conversamos — não importa sobre o quê —, começo a ver você como uma amiga".
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