A Rússia defendeu, nesta terça-feira (20), a retomada urgente do diálogo com os Estados Unidos sobre estabilidade nuclear estratégica. Segundo o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, as negociações precisam começar o quanto antes diante da ausência de um acordo jurídico que estabeleça limites para os arsenais nucleares das duas potências.
A declaração foi feita após uma pergunta sobre a possibilidade de uma reunião trilateral na China, no próximo mês, entre o presidente russo, Vladimir Putin, o presidente norte-americano, Donald Trump, e o líder chinês, Xi Jinping.
Peskov destacou que a complexidade dos temas exige tempo para negociação e, por isso, considera importante iniciar as conversas rapidamente.
Fim de tratado encerrou limites aos arsenais
O acordo conhecido como Novo START terminou no início de fevereiro de 2026. O tratado estabelecia limites para as armas nucleares estratégicas implantadas pela Rússia e pelos Estados Unidos.
Entre as regras, cada país poderia manter até 1.550 ogivas nucleares estratégicas implantadas, além de um limite de 700 mísseis e bombardeiros estratégicos implantados, lançados por terra ou por submarinos.
Com o encerramento do acordo, os dois países ficaram sem restrições mútuas estabelecidas por esse tratado. É a primeira vez em mais de meio século que Rússia e Estados Unidos não contam com esse tipo de limite bilateral para seus arsenais estratégicos.
Especialistas alertam para riscos de uma nova corrida armamentista
Analistas de segurança destacam que os acordos nucleares não servem apenas para limitar a quantidade de armas. Eles também estabelecem mecanismos de transparência e previsibilidade, ajudando a reduzir incertezas e a conter uma possível corrida armamentista.
Sem um tratado em vigor, cresce a preocupação com a falta de regras compartilhadas para controlar os arsenais das duas potências. As armas estratégicas abrangidas por esse tipo de acordo são capazes de atingir alvos militares e centros importantes em um eventual conflito nuclear.
A defesa russa pela retomada das negociações ocorre em um cenário de incerteza sobre o futuro do controle de armas nucleares. Até o momento, a declaração de Peskov reforça a necessidade de diálogo, mas não confirma a existência de um novo acordo ou de negociações formalmente agendadas.
CNN Brasil