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Uma loja de departamento localizada na região metropolitana de Buenos Aires, capital da Argentina, ofereceu 30 vagas de emprego para estoquistas, trabalhadores de armazém e pessoal administrativo, e foi surpreendida com uma fila gigantesca com centenas de pessoas interessadas no trabalho. A fila formada pelos candidatos se estendeu por cerca de 10 quarteirões.
Segundo a imprensa local, a fila da última segunda-feira (12/10), que se formou por quilômetros em Moreno, cidade que integra a Grande Buenos Aires, era predominantemente composta por jovens entre 18 e 22 anos de idade. Muitos em busca do primeiro emprego formal ou querendo complementar a renda "em meio à crise econômica", como descreveu a emissora argentina C5N.
Um representante do grupo Citystore, que gerencia a loja, manifestou total surpresa com a quantidade de pessoas querendo um emprego. "Realmente não esperávamos uma resposta tão grande, apesar de estarmos cientes de que nesta região e com a situação atual, o trabalho está um pouco difícil". O gerente confirmou que algumas pessoas estavam na fila desde a noite anterior.
"Sou estoquista, opero o caixa, o computador, atendo clientes, trabalho em um depósito. Não conseguimos fechar as contas. E a verdade é que é muito triste ver tudo isso porque você vê a necessidade das pessoas e dói muito", disse uma pessoa que esperava na fila.
Segundo levantamento divulgado em setembro pelo Monitor Mensal de Empresas, da Fundar, centro de pesquisas da Argentina, sob o comando de Javier Milei, o país fechou 31,3 mil empresas, 6,1% do total das companhias registradas no país. Além disso, 245 mil postos formais de emprego foram encerrados em 31 meses.
O balanço foi feito entre os meses de novembro de 2023, quando Milei assumiu o governo, até junho de 2026, e concluiu ainda que, dos 18 setores pesquisados, 14 tiveram queda no número de empresas, prejudicando 23 das 24 províncias argentinas.
No período, 245,6 mil empregos privados formais foram extintos (queda de 3,9%), de acordo com um segundo levantamento, agora do Centro de Economia Política Argentina (Cepa). A perda foi compensada, em parte, pelo aumento dos trabalhadores autônomos, porém, "os empregos perdidos são parcialmente substituídos por atividades desprotegidas", afirmou o centro ao analisar os dados coletados.
A reforma trabalhista que teve Milei como grande entusiasta, e foi aprovada neste ano, implementou políticas liberais que afetaram os trabalhadores argentinos. Entre os principais pontos aprovados, está a alteração no cálculo das indenizações por demissão sem justa causa, reduzindo custos rescisórios, o fim da obrigatoriedade da contribuição sindical, ampliação da jornada para até 12 horas diárias, entre outros.
Metrópoles