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O dólar fechou em queda de 0,25%, cotado a R$ 5,139, nesta quinta-feira (17), com investidores repercutindo as decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos e acompanhando as preocupações com o cenário fiscal após o anúncio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de um reajuste de 15,04% no Bolsa Família. O aumento foi anunciado a 17 dias do primeiro turno das eleições presidenciais.
O Ibovespa fechou em alta de 0,23%, aos 185.992 pontos, impulsionado principalmente pela Vale, que avançou 2,06%, a R$ 74,51.
Para Felipe Cima, analista de renda variável da Manchester Investimentos, a valorização da mineradora parece ser uma reação à queda recente dos papéis, que havia sido provocada pela expectativa de desempenho mais fraco do minério de ferro. A commodity, porém, registrou alta nos últimos dias. Cima também afirma que o movimento ligado à inteligência artificial está migrando para a cadeia física do cobre, que tem se mantido em patamar elevado.
O reajuste do Bolsa Família também entrou no radar dos investidores e, segundo Gabriel Magno, chefe de alocação de investimentos e sócio da AW Capital, pressionou a Bolsa inicialmente. Para ele, o anúncio reacendeu dúvidas sobre a trajetória das contas públicas, em um momento em que o mercado discute quais medidas de ajuste fiscal poderão ser adotadas a partir do próximo ano.
"Vem a informação do atual presidente e candidato de que iremos aumentar o gasto do governo em R$ 5,8 bilhões em 2026 e aproximadamente R$ 22 bilhões em 2027. Na minha opinião, gera dúvida sobre a seriedade da situação fiscal para os próximos anos", afirma.
Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, também vê possíveis efeitos negativos do reajuste, tanto pelo impacto sobre a demanda quanto pelo momento do anúncio. "O reajuste de 15% do Bolsa Família não é pouca coisa. Isso vai ter um efeito sobre a demanda, sem dúvidas", diz. Segundo ele, embora o governo argumente que o aumento corrige a inflação acumulada, a correção deveria ocorrer de forma anual e programada.
Magno adiciona que, nesta quinta, o mercado também digeriu as informações do Banco Central sobre juros e o cenário externo, que teve um pregão mais tranquilo. As pesquisas eleitorais também contribuíram para o desempenho da Bolsa, segundo ele.
No cenário doméstico, investidores acompanharam a repercussão da nova pesquisa AtlasIntel/Bloomberg, que mostra empate técnico entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL) em uma eventual disputa de segundo turno.
Flávio aparece com 47,2% das intenções de voto, ante 46,8% de Lula. No levantamento anterior, o senador tinha 46,4%, e Lula, 46,2%.
Nas últimas semanas, o fortalecimento da candidatura de Flávio tem sido visto de forma positiva pelo mercado, que acredita que um eventual governo do senador poderia dar maior prioridade ao ajuste das contas públicas.
Os investidores locais e globais também continuaram acompanhando os efeitos das decisões de política monetária anunciadas na chamada superquarta, segundo Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad. Ela afirma que o tom mais duro e restritivo do Fed (Federal Reserve, o banco central dos EUA) contrasta com a continuidade do ciclo de cortes da Selic pelo Copom (Comitê de Política Monetária), no Brasil.Material de referência geográfica
Na véspera (16), o comitê brasileiro decidiu, por unanimidade, reduzir a taxa básica de juros, a Selic, em 0,25 ponto percentual, de 14% para 13,75% ao ano. Foi o quinto corte consecutivo e a última reunião do colegiado antes das eleições presidenciais .
O Banco Central, porém, evitou dar indicações sobre os próximos passos da política monetária, diante de fatores que podem influenciar a inflação, como o El Niño e choques nos preços do petróleo.
O economista Ian Lopes, da Valor Investimentos, afirma que o mercado digere as decisões de juros, que já eram esperadas, enquanto acompanha os próximos desdobramentos eleitorais e geopolíticos.
Nos Estados Unidos, o Fed elevou os juros em 0,25 ponto percentual, para a faixa entre 3,75% e 4% ao ano. A decisão, também tomada por unanimidade, com 12 votos a zero, marcou a primeira alta desde julho de 2023 e já era esperada pelo mercado.
O DXY, índice que mede o desempenho do dólar ante uma cesta de moedas fortes, fechou perto da estabilidade. Enquanto, os rendimentos dos Treasuries de dez anos recuaram 1,71%, enquanto os dos títulos de 30 anos caíram 1,38%.
Às 17h16, o barril do petróleo Brent era cotado a US$ 104, com queda de 1,66%.
A baixa está relacionada à diminuição dos ataques entre os houthis, grupo do Iêmen aliado ao Irã, e forças militares da Arábia Saudita, além de declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que o fim do conflito com o Irã está próximo.
Em Wall Street, as bolsas fecharam em alta, com investidores acompanhando especialmente a decisão do Fed. O Dow Jones teve avanço de 0,61%, o S&P 500 registrou alta de 1,14% e o Nasdaq avançou 1,69%.
A Nasdaq liderou a alta das Bolsas americanas, impulsionada pelas empresas de semicondutores. O movimento reflete uma recuperação após as perdas da véspera. Luca Girardi, analista de investimentos da Nomad, diz que o avanço também é favorecido pelo recuo dos rendimentos dos títulos do Tesouro americano, que interromperam uma sequência de altas após atingirem o maior nível desde 2007, e pela queda do petróleo.
Para Fernando Saad Benati, estrategista global da Avenue, mais do que a decisão do Fed em si, amplamente precificada pelo mercado, chamaram a atenção dos investidores as projeções do comitê e o tom de Kevin Warsh durante a coletiva.
"Tivemos uma melhora nas projeções de PIB e de taxa de desemprego, mas as projeções de inflação pioraram: o comitê agora enxerga 3,7% para 2026, ante 3,6% na projeção de junho, que já havia sido um salto expressivo em relação aos 2,7% projetados pelo Fed em março", diz o especialista.
No Brasil, os juros futuros fecharam em queda. Às 17h19, a taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 13,615%, com queda de 0,06 ponto percentual. Na ponta longa da curva, a taxa do DI para janeiro de 2035 marcava 14,185%, com queda de 0,05 ponto percentual.
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