Acervo pessoal/Reprodução
A Defensoria Pública da União (DPU) informou, nesta sexta-feira (28), que recebeu uma representação referente à situação de 23 cidadãos brasileiros que se encontram em Madagascar, em contexto relacionado a possíveis vítimas de tráfico internacional de pessoas.
Na última terça-feira (25), o CORREIO contou a história da baiana Karine, que foi vítima de tráfico humano após aceitar uma proposta de trabalho no Camboja. Ela faz parte desse grupo de 23 brasileiros, todos vítimas de tráfico, que estão apelando às autoridades brasileiras para retornar ao Brasil. Atualmente, o grupo está em Madagascar, após ter sido transferido pelos responsáveis pelo esquema criminoso.
Segundo a DPU, o caso está sendo acompanhado pelo órgão, por meio do Grupo de Trabalho de Assistência e Proteção às Vítimas de Tráfico de Pessoas (GTTP) e da Coordenação de Assistência Jurídica Internacional (Caji), que vêm adotando as providências institucionais cabíveis no âmbito de suas atribuições.
O órgão disse, ainda, que já realizou interlocução com o Ministério das Relações Exteriores (MRE), solicitando informações e reforçando a necessidade de assistência consular aos nacionais brasileiros. Também estão sendo adotadas as providências necessárias para a formalização dos pedidos de repatriação, conforme a situação individual dos nacionais e os requisitos aplicáveis.
"A Defensoria permanece acompanhando o caso e em articulação com os órgãos competentes, avaliando continuamente as medidas jurídicas e institucionais necessárias para a proteção dos brasileiros envolvidos, inclusive diante de eventual evolução da situação".
Aeroporto
Sem dinheiro, o grupo de brasileiros estava no Aeroporto de Antananarivo, onde foram acolhidos por uma ONG local. "Quero muito voltar para o Brasil, principalmente para poder ver minha filha e minha família. Tenho contato com eles e quero conseguir voltar para casa com segurança", disse Karine, ao jornal, na ocasião da entrevista.
Para tentar arrecadar o valor da passagem de retorno de Karine à Bahia, a advogada Queila Veloso, amiga de Karine, lançou uma vaquinha online. "Já fiz apelos aos políticos baianos por ajuda financeira, também sem retorno ou com muita burocracia. Mas a emergência não espera pela burocracia", escreveu Queila, no texto de divulgação.
O Ministério das Relações Exteriores do Brasil informou que recebeu relatos sobre a situação dos 23 brasileiros e, por intermédio da Embaixada do Brasil em Maputo, responsável pelas relações com Madagascar, busca apurar os fatos junto às autoridades locais. O órgão pontuou que a atuação consular do Brasil é pautada pela legislação internacional e nacional.
Correio 24h