Porto Velho (RO)29 de Julho de 202618:21:02
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Dólar cai e Bolsa desaba com juros nos EUA e guerra no Oriente Médio

Moeda americana registrou queda de 0,27% frente ao real, cotada a R$ 5,10. Já o Ibovespa recuou 1,52%, aos 173,8 mil pontos


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O dólar registrou queda de 0,25% frente ao real, cotado a R$ 5,10, nesta quarta-feira (29/7). O Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira (B3), também caiu. Ele fechou em forte baixa de 1,53%, aos 173,8 mil pontos, interrompendo uma sequência de duas altas seguidas.

No cenário externo, os investidores acompanharam a decisão do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) de manter os juros básicos do país pela quinta vez seguida, no intervalo entre 3,50% e 3,75%. A medida já era esperada pelo mercado, mas não se tratava de uma análise consensual.

Essa divergência foi reproduzida na votação do Fed, que não foi unânime. Em um total de 12 votos, 9 deles foram a favor da manutenção dos juros nos níveis atuais. Outros três dirigentes do BC americano, contudo, votaram por um aumento de 0,25 ponto percentual da taxa, para que ela atingisse o patamar entre 3,75% e 4,00%.

Guerra e petróleo

Ainda com base no front internacional, os mercados de câmbio e ações foram afetados por uma nova mudança de rumo no Oriente Médio. A frágil trégua entre Estados Unidos e Irã foi rompida. Com isso, o preço do petróleo, que mantinha uma tendência de queda, voltou a subir.

O barril do tipo Brent, a referência internacional da commodity, avançou 7,32%, a US$ 88,09. O tipo West Texas Intermediate (WTI), que baliza o comércio nos Estados Unidos, anotava alta de 6,56%, a US$ 84,46.

Empregos no Brasil

No quadro interno, o mercado conheceu os novos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados nesta quarta-feira pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Em junho, o Brasil criou 145.161 vagas formais, ou seja, com carteira assinada.

O resultado ficou acima da mediana das expectativas do mercado, que era de 110 mil postos de emprego. Ele, contudo, foi o pior número para o mês de junho desde 2020, época da pandemia da Covid-19.

Bolsas globais

Entre as bolsas asiáticas, que fecharam pela manhã, antes do anúncio do Fed, o índice sul-coreano Kospi caiu 6% nesta quarta-feira. A baixa foi resultado de uma nova onda de dúvidas sobre o quão efetivos são os investimentos maciços promovidos por empresas de tecnologia em inteligência artificial (IA).

A queda em Seul foi puxada pela baixa das ações da fabricante de chips SK Hynix, cujo lucro operacional subiu quase seis vezes no último trimestre, mas ficou abaixo das previsões dos analistas. Os papéis da SK Hynix caíram 9,4%. Os da Samsung Electronics baixaram 4,8%.

Nova York

Os principais índices de Nova York também derreteram. As quedas foram generalizadas. Elas alcançaram 1,51%, no S&P 500; de 2,18%, no Dow Jones; e de 1,74%, no Nasdaq, que concentra ações de empresas do setor de tecnologia.

 Análise

Na avaliação de João Vitor Saccardo, especialista em renda variável da Convexa, o Ibovespa recuou pressionado pela retomada dos ataques no Oriente Médio, fato que impulsionou o preço do petróleo e aumentou a aversão ao risco nos mercados globais. "A alta da commodity favoreceu as ações da Petrobras, mas o movimento foi insuficiente para compensar as perdas das empresas ligadas ao ciclo doméstico e ao setor bancário."

Saccardo observa que a queda das ações do Santander, que ocorreu depois da divulgação dos resultados do segundo trimestre, também pesou no Ibovespa. "No cenário externo, a decisão do Fed manteve em aberto os próximos passos da política monetária americana, com o mercado ainda dividido entre a manutenção dos juros e uma nova alta nas próximas reuniões", afirma.

Dólar e juros

Emerson Vieira Junior, também analista da Convexa, destaca que a queda do dólar passou a ser mais intensa depois do anúncio da decisão do Fed de manter os juros americanos inalterados. Ela veio "em linha" com o esperado pelo mercado. "Como o comunicado não trouxe sinalizações mais duras sobre a trajetória da política monetária, a moeda americana perdeu força globalmente, movimento acompanhado pelo real e por outras moedas emergentes", diz.

Aversão ao risco

Rebecca Nossig, da Nomad, aponta que o Ibovespa e o dólar reagiram a um forte movimento de aversão ao risco global, ditado pela política monetária americana e pelas tensões geopolíticas. "Enquanto a Bolsa brasileira caiu mais de 1%, perdendo o patamar dos 175 mil pontos com a realização de lucros, o dólar registrou desvalorização frente ao real", diz. "Essa dinâmica foi impulsionada pelo tom rígido do Fed, combinado com a disparada do petróleo devido ao recrudescimento dos conflitos no Oriente Médio."

Nossig nota que as divergências e o tom do comunicado do Fed geraram apreensão, pois sugeriram que, devido à inflação persistente e a um mercado de trabalho ainda forte nos EUA, uma nova alta nos juros poderá ocorrer na próxima reunião de setembro. "Juros altos nos Estados Unidos costumam afastar o capital de ativos de risco, como as ações de mercados emergentes, o que pesou diretamente sobre o Ibovespa e o dólar", afirma.

Trabalho

Sobre o Caged, Rafael Dadoorian, especialista em renda fixa da Convexa, afirma que o resultado "surpreendeu positivamente ao registrar a criação de 145 mil empregos formais, acima das expectativas do mercado, que variavam entre 110 mil e 115 mil vagas". "Apesar do dado mais forte para a atividade econômica, a curva de juros permaneceu praticamente estável, com investidores aguardando as decisões de política monetária da próxima semana, quando o Banco Central (BC) vai definir a nova taxa básica de juros do Brasil", diz.

Metrópoles


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