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A chamada 'cremação com água', conhecida também como 'aquamação ou hidrólise alcalina', está legalizada na Escócia. A mudança é considerada a mais significativa na legislação funerária local desde a introdução da cremação tradicional, em 1902.
A medida foi aprovada pelo Parlamento a partir da crescente demanda de práticas mais sustentáveis. Assim, o método surge como alternativa ao enterro convencional e à cremação por fogo, utilizando um processo químico para acelerar a decomposição do corpo.
Para executar a técnica, o corpo é colocado em um cilindro pressurizado com água e uma solução alcalina e aquecido entre 90 °C e 150 °C. O processo dura de três a quatro horas e dissolve os tecidos moles por meio da combinação de calor, pressão e alcalinidade.
Ao final, restam apenas os ossos, que são secos e transformados em um pó fino, semelhante às cinzas da cremação tradicional. O material é devolvido à família, podendo ser armazenado, enterrado ou espalhado. Na maior parte dos casos, o resultado proporciona uma coloração geralmente mais clara e maior volume em comparação às cinzas da cremação convencional.

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O método tradicional consome muita energia, emite dióxido de carbono e poluentes atmosféricos, enquanto a aquamação utiliza cerca de um sétimo dessa energia e pode reduzir a pegada de carbono em até 75%, sem emissões tóxicas diretas. Portanto, a justificativa para a legalização é ambiental.
O The Guardian acrescenta ainda que a nova técnica elimina a necessidade de caixões descartáveis, bem como dispensa a retirada de dispositivos como marcapassos. Além disso, há a reciclagem de substâncias como o mercúrio de tratamentos dentários, evitando sua liberação no meio ambiente por meio de combustão.
Regulamentação e implementação
Jenni Minto, ministra da Saúde Pública da Escócia, reforçou que a legalização da aquamação amplia as opções funerárias após mais de 120 anos sem novas alternativas. Ela ainda acrescentou que a decisão do destino dos restos mortais é pessoal e, assim, seguirá os mesmos critérios regulatórios já aplicados a outros métodos.
Na prática, porém, a implementação da técnica deve levar alguns meses. A depender de licenças e autorizações, a primeira unidade pode começar a operar em até nove meses.
Ao redor do mundo, a aquamação já é permitida em 28 estados dos Estados Unidos e em países como Canadá, Irlanda e Austrália. O método ganhou visibilidade internacional após ser escolhido no funeral do arcebispo Desmond Tutu, em 2022.
Portal Terra