Mesmo após a restrição ao uso de celulares nas escolas brasileiras, parte das instituições tem adotado os aparelhos como ferramentas de apoio ao ensino. Dados do levantamento TIC Educação 2025 mostram que 4 em cada 10 escolas permitem que os estudantes levem seus celulares para o ambiente escolar, e, entre essas, 66% autorizam o uso dos dispositivos em atividades pedagógicas.
A pesquisa aponta que a utilização dos aparelhos como recurso educacional é mais frequente em escolas das regiões Norte e Nordeste, em unidades localizadas em áreas rurais e em instituições de pequeno porte, com até 150 alunos.
O levantamento, divulgado nesta terça-feira (3), foi realizado pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), ligado ao Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br). Foram ouvidos 2.404 gestores de escolas públicas e particulares de áreas urbanas e rurais.
Segundo os dados, 51% das escolas não permitem que os alunos levem celulares pessoais para as dependências da instituição. Outras 24% orientam que os aparelhos permaneçam guardados durante as aulas, enquanto apenas 16% oferecem locais específicos para armazenamento dos dispositivos. Cerca de 9% dos gestores afirmaram não saber como aplicar a medida ou não responderam.
A forma de lidar com os celulares varia conforme o tipo de escola. Unidades municipais, dos anos iniciais do ensino fundamental e localizadas em áreas urbanas tendem a adotar regras mais rígidas. Já escolas estaduais e de ensino médio apresentam maior flexibilidade, permitindo com mais frequência que os estudantes permaneçam com os aparelhos, desde que haja orientação para o uso adequado.
Infraestrutura ainda é desafio
Além do uso de celulares, o estudo analisou as condições tecnológicas das escolas brasileiras e apontou diferenças no acesso a equipamentos e conexão de internet.
Entre os recursos disponíveis, 71% das escolas possuem equipamentos audiovisuais para atividades educacionais, como câmeras, microfones e outros materiais de áudio e vídeo. Já os equipamentos voltados para robótica estão presentes em 23% das instituições, enquanto recursos para atividades maker, como kits de eletrônica, marcenaria, costura e impressoras 3D, aparecem em 22% das escolas.
Em relação à internet em salas de aula, 69,5% das escolas públicas possuem conexão disponível para os estudantes, enquanto na rede privada o índice é de 55%. O levantamento também mostra que o acesso à internet em áreas de recreação e outros espaços escolares ainda é limitado, alcançando 40,5% das escolas públicas e 29% das particulares.
O estudo também revelou que 80% das escolas já discutem com famílias e professores os impactos do uso de tecnologias na saúde mental dos estudantes. Além disso, 53% dos gestores afirmam utilizar inteligência artificial em atividades administrativas e 37% das instituições permitem o uso da tecnologia pelos alunos, embora apenas 22% tenham orientações formais sobre seu uso.
Entre os principais obstáculos apontados pelos gestores para ampliar projetos de educação digital estão a baixa participação das famílias e a falta de recursos de apoio.
G1 EDUCAÇÃO