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A desinformação gerada por Inteligência Artificial (IA) no Brasil atingiu um novo patamar de escala e complexidade. De acordo com o primeiro Panorama da Desinformação no Brasil, divulgado pelo Observatório Lupa, os conteúdos falsos criados com IA mais que triplicaram entre 2024 e 2025, registrando um salto expressivo de 308%.
O levantamento aponta uma mudança estrutural no ecossistema digital. Enquanto em 2024 a IA era utilizada majoritariamente para a aplicação de golpes e fraudes comerciais, em 2025 e neste início de 2026 a tecnologia passou a ser empregada de forma estratégica como arma ideológica. Quase 45% das desinformações geradas por IA no último ano tiveram viés político, utilizando imagens e vozes clonadas de lideranças públicas para manipular o debate nacional.
Deepfakes e o alvo nas lideranças políticas
As deepfakes (vídeos ou áudios que alteram rostos e vozes com realismo impressionante) passaram de 4,6% das checagens da agência em 2024 para 25% em 2025. O estudo identificou que mais de três quartos desses conteúdos exploraram a imagem de figuras conhecidas. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-presidente Jair Bolsonaro e o ministro do STF Alexandre de Moraes foram os principais alvos das manipulações digitais mapeadas pela pesquisa.
Essa sofisticação técnica dificulta a identificação imediata por parte do usuário comum, exigindo esforços redobrados das plataformas e agências de verificação para conter a propagação de narrativas inventadas que simulam declarações oficiais.
Dispersão de plataformas e o papel dos vídeos curtos
O relatório também destaca uma mudança importante nos canais de difusão. O WhatsApp, que concentrava quase 90% da circulação de desinformação em 2024, viu sua participação cair para 46% em 2025. Segundo o Observatório Lupa, isso indica uma maior dispersão dos conteúdos falsos em outras redes sociais.
Plataformas de vídeos curtos, como TikTok e Kwai, ganharam relevância no cenário da desinformação, somando-se aos canais tradicionais como Instagram, Facebook e X. Essa migração para o formato de vídeo reforça a eficácia das deepfakes, que encontram nessas redes um ambiente propício para a viralização rápida e de alto impacto visual.
d24am