A produção de azeite de oliva vem ganhando espaço no Brasil e se tornando uma alternativa de renda para produtores rurais. Em Ijuí, no noroeste do Rio Grande do Sul, a família Gier deixou a atividade leiteira para investir no cultivo de oliveiras e, atualmente, vive principalmente da produção de azeite.
Na propriedade de sete hectares, chamada Pé de Oliva, quatro hectares são ocupados por oliveiras das variedades arbequina, arbosana e koroneiki. Mesmo com a perda de aproximadamente 40% da produção por causa do granizo, a família colheu 20 toneladas de azeitonas na safra deste ano.
Segundo o produtor Michael Gier, a mudança aconteceu porque a atividade leiteira já não oferecia renda suficiente para manter a família no campo. A instalação de uma unidade própria de extração também ajudou a fortalecer o negócio. No local, as azeitonas são processadas poucas horas após a colheita, contribuindo para preservar a qualidade do azeite.
A marca também ganhou visibilidade em feiras e passou a integrar o Programa Estadual de Agroindústria Familiar, recebendo o selo Sabor Gaúcho. A família ainda planeja transformar um antigo galpão de confinamento em espaço para eventos e receber visitantes durante o período da colheita.
Azeite brasileiro conquista prêmios internacionais
Outra iniciativa que chama atenção é a produção do Azeite Bene Orgânico, na Fazenda São Benedito, em Bom Sucesso de Itararé, no interior de São Paulo.
O empreendimento foi criado por Nelson Jorge, que decidiu investir na agricultura após se aposentar do setor financeiro. Atualmente, a propriedade conta com cerca de 11 mil oliveiras e produz azeite extravirgem orgânico.
Na safra de 2026, o produto recebeu seis distinções em cinco concursos internacionais, incluindo medalhas de ouro na Turquia e em Israel e prata na Itália.
O produtor destaca que a olivicultura exige planejamento de longo prazo, já que as oliveiras levam anos para atingir uma produção comercial. A colheita também precisa respeitar o ponto de maturação das azeitonas, enquanto a extração deve ocorrer rapidamente para preservar as características do produto.
Setor brasileiro registra crescimento
As duas propriedades fazem parte de um movimento de diversificação das atividades no campo, com produtores buscando alternativas à pecuária e às culturas tradicionais.
No Rio Grande do Sul, a produção de azeite alcançou 1,17 milhão de litros, segundo o Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva). Além disso, as vendas em volume no Brasil cresceram mais de 20% nos primeiros cinco meses de 2026.
Enquanto a produção nacional ganha espaço, o mercado internacional também passa por mudanças. A espanhola Deoleo, considerada a maior engarrafadora de azeite do mundo e responsável por marcas como Carbonell e Carapelli, acertou a venda de até 100% de seu capital por um valor empresarial de 520 milhões de euros.
A negociação envolve um consórcio formado pela cooperativa Dcoop e pela empresa Acesur. A conclusão ainda depende de aprovações de acionistas e órgãos reguladores, com previsão de levar de seis a oito meses.
O avanço da olivicultura brasileira acompanha a procura por produtos de qualidade e com origem identificada, abrindo novas oportunidades para pequenos e médios produtores.
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