O preço da arroba do boi gordo no mercado paulista atingiu, na segunda-feira (6), o maior valor nominal da série histórica, chegando a R$ 372,95. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, a cotação avançou 7,8% em relação ao início de setembro.
De acordo com o pesquisador Thiago Bernardino de Carvalho, do Cepea, a alta está relacionada principalmente à menor disponibilidade de animais para abate e à demanda firme no mercado brasileiro.
Um dos fatores que contribuíram para a redução da oferta foram as incertezas provocadas pelas tarifas sobre a carne brasileira. Entre junho e julho, produtores teriam reduzido o interesse em colocar animais em confinamento, o que agora influencia a disponibilidade de bovinos prontos para o abate.
A China passou a aplicar uma tarifa adicional de 55% sobre as importações de carne bovina brasileira a partir de 1º de outubro, após o país atingir a cota anual de 1,1 milhão de toneladas. Antes da medida entrar em vigor, os embarques para o mercado chinês já haviam diminuído, com exportadores tentando evitar a cobrança.
Outro fator apontado pelo pesquisador é o aumento das exportações brasileiras de gado vivo em 2026. A saída de animais também contribui para diminuir a oferta destinada à indústria nacional e pressiona os valores de reposição.
Demanda interna
No mercado brasileiro, Carvalho destacou que os preços da carne estão próximos dos maiores níveis já registrados. Mesmo com dificuldades econômicas, como a alta inadimplência, eventos como eleições e Copa do Mundo contribuíram para movimentar o consumo.
O pesquisador também citou mudanças nos hábitos alimentares e a maior procura por proteínas de origem animal.
No mercado internacional, o Brasil continua exportando volumes relevantes para outros destinos, apesar das limitações impostas pela China. Entre os países que aumentaram as compras de carne bovina brasileira está os Estados Unidos.
Expectativa de retomada das vendas para a China
A China, principal compradora da carne bovina brasileira, adotou salvaguardas para proteger sua produção doméstica. A medida prevê tarifas adicionais para volumes que ultrapassarem a cota estabelecida para os próximos anos.
Em 2027, a cota com tarifa reduzida de 12% será de 1,128 milhão de toneladas. Segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), os embarques para preencher esse volume devem começar em novembro.
Carvalho afirmou que, no fim de setembro, já houve movimentação para novas negociações de carne bovina com compradores chineses. A expectativa é de que essas operações ganhem força após o feriado chinês desta semana.
CNN Brasil