O crescimento da participação brasileira no mercado mundial de alimentos deve trazer novos desafios para o setor agropecuário. A avaliação é do secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Carlos Goulart, que afirmou nesta terça-feira (8) que o país poderá enfrentar uma pressão maior por parte de outros mercados.
Durante entrevista ao CNN Agro News, Goulart destacou que o cenário internacional se tornou mais fragmentado desde a pandemia e que o Brasil precisa estar preparado para lidar com exigências técnicas e sanitárias cada vez maiores.
Segundo o secretário, a aplicação de barreiras comerciais não é uma novidade para o país. No entanto, a disputa internacional por espaço no mercado de alimentos exige uma atuação conjunta entre os setores técnico, comercial e diplomático.
Exigências sanitárias
Entre os pontos de atenção está a utilização de antimicrobianos na produção. De acordo com Goulart, uma auditoria realizada pela União Europeia terminou na última sexta-feira (4) e apresentou uma avaliação positiva sobre os procedimentos brasileiros relacionados à separação de produtos que não utilizam esses medicamentos.
O secretário afirmou que os técnicos europeus consideraram satisfatório o sistema adotado pelo Brasil e compatível com as exigências do bloco.
Para Goulart, além de atender aos critérios técnicos, o governo precisa manter as negociações políticas e comerciais com os parceiros internacionais.
Brasil tenta acelerar retomada das exportações
O governo brasileiro também busca antecipar a retomada da autorização para exportação de proteínas para a União Europeia. Uma das estratégias foi o envio de uma carta ao bloco apresentando as medidas adotadas pelo país para atender às exigências sanitárias.
A expectativa do governo é que o processo possa avançar antes do calendário regular previsto pela União Europeia, especialmente para os setores de aves e mel, que já passaram por auditorias.
A missão da Comissão Europeia visitou estabelecimentos no Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul antes de concluir os trabalhos.
Próximas etapas
Pelo procedimento regular, uma nova avaliação deve ocorrer em novembro, durante reunião do Comitê Permanente de Plantas, Animais, Alimentos e Rações (SCoPAFF), órgão responsável por discussões relacionadas à segurança alimentar dentro da União Europeia.
Como a antecipação por meio de uma decisão política não avançou, o Brasil segue agora o processo regulatório europeu. Após a divulgação do relatório da auditoria, o governo brasileiro terá um prazo de 25 dias para apresentar sua resposta.
A avaliação do Ministério da Agricultura é que o avanço das exportações brasileiras dependerá tanto do cumprimento das exigências sanitárias quanto das negociações com os mercados compradores.
CNN Brasil