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A China internalizou 78,87% da cota anual destinada à carne bovina brasileira até o fim de junho, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (20) pela GACC (Administração Geral das Alfândegas da China). Apesar de o percentual oficial indicar que ainda há espaço dentro do limite, a consultoria Safras & Mercado estima que, considerando os embarques já realizados pelo Brasil, a cota está, na prática, esgotada.
Os dados da alfândega chinesa mostram que 872,25 mil toneladas de carne bovina brasileira foram desembaraçadas até junho, o equivalente a 78,87% da cota de 1,106 milhão de toneladas. Somente em junho, foram internalizadas 148,47 mil toneladas, elevando a utilização da cota para perto de 80%.
Com base nos dados de embarques do Comex, a Safras & Mercado estima que o Brasil exportou 1,106,6 milhão de toneladas destinadas à China até o fim de junho, volume equivalente a 100,06% da cota anual. A diferença em relação aos números da alfândega chinesa é explicada pelo intervalo entre o embarque da mercadoria e sua efetiva internalização no país asiático, já que parte das cargas ainda está em trânsito.
"Os números evidenciam certa lentidão no processo de internalização das cargas. De qualquer forma, o forte ritmo das exportações brasileiras destinadas à China em maio e junho mantém a percepção de que a cota já está virtualmente esgotada, considerando também os volumes embarcados e ainda em trânsito", afirma a consultoria.
Segundo o analista da Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias, o mercado deve atingir nos próximos dias o patamar que aciona o alerta oficial de 80% de utilização da cota.
"Para esta semana, a gente deve receber aquele alerta de 80% da quota preenchida. Não vai escapar", disse à CNN.
Entre os demais fornecedores, a Austrália já havia utilizado 96,93% de sua cota até junho. A Argentina havia preenchido 46,88% do limite, seguida por Nova Zelândia (28,91%), Uruguai (25,42%) e Estados Unidos (0,56%).
Na avaliação de Iglesias, parte desses países dificilmente utilizará integralmente suas cotas neste ano. "Muito provavelmente Nova Zelândia, Estados Unidos e Uruguai não vão fazer uma utilização plena da cota que a China disponibilizou".
A Safras & Mercado destaca ainda que os dados das exportações brasileiras de julho serão decisivos para avaliar o comportamento dos embarques após o esgotamento da cota. A consultoria também observa o aumento da demanda por carne bovina brasileira em mercados como Estados Unidos, Hong Kong, Uruguai e Argentina. Segundo a análise, o crescimento das compras pelos três últimos destinos pode indicar movimentações comerciais que viabilizem o envio indireto da carne ao mercado chinês.
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