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Em meio ao aumento das tensões comerciais internacionais, o Senado aprovou a Medida Provisória (MP) 1.345/2026, que autoriza a União a mobilizar até R$ 15 bilhões para apoiar empresas exportadoras afetadas por crises internacionais, como guerras comerciais, conflitos geopolíticos e aumento de tarifas sobre produtos brasileiros.
A medida, que segue para sanção presidencial, fortalece os mecanismos oficiais de financiamento às exportações e foi desenhada em um momento de aumento das barreiras comerciais ao redor do mundo. O agronegócio, responsável por mais da metade das exportações brasileiras, está entre os setores que podem ser beneficiados.
Os R$ 15 bilhões não serão distribuídos diretamente às empresas. O dinheiro servirá para dar sustentação às operações de crédito voltadas aos exportadores, permitindo que bancos públicos e privados emprestem recursos com menor risco.
Com a MP, parte do risco dessas operações poderá ser coberta pelos mecanismos públicos de garantia às exportações. Se houver inadimplência, a União cobre a parcela prevista na garantia e depois busca recuperar os recursos junto à empresa devedora. Se o financiamento for pago normalmente, o governo não desembolsa nenhum valor.
Na avaliação do governo, essa estrutura permite ampliar a oferta de crédito justamente quando empresas exportadoras enfrentam dificuldades provocadas por fatores externos.
Efeitos para o agro
Embora o produtor rural não tenha acesso direto aos recursos, o setor agropecuário pode sentir os efeitos da medida ao longo da cadeia. Frigoríficos, tradings, cooperativas, usinas de açúcar e etanol, exportadores de café, soja, milho e celulose poderão recorrer a essas linhas caso sejam afetados por barreiras comerciais.
Ao preservar o capital de giro dessas empresas, a expectativa é reduzir o risco de interrupção das compras de produtos agropecuários dos produtores rurais.
A MP também amplia a possibilidade de financiar investimentos necessários para atender novas exigências dos mercados internacionais, como rastreabilidade, certificações ambientais e adaptações sanitárias.
A aprovação da MP ocorre em um momento de aumento das disputas comerciais globais e de maior utilização de tarifas e barreiras não tarifárias por diversos países. Em vez de depender exclusivamente da negociação diplomática para tentar reverter restrições comerciais, o governo passa a fortalecer instrumentos financeiros capazes de dar fôlego às empresas.
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