Porto Velho (RO)03 de Julho de 202617:27:03
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Agro

Planos miram menor dependência, mas produção nacional de fertilizante recua

"A gente vai ter, sim, uma redução na produção nacional, não tem como fugir disso. Talvez a gente acabe importando mais fósforo", diz analista


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Divulgação Petrobras

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Com a guerra no Oriente Médio, o governo federal intensificou os esforços neste ano para reduzir a dependência do Brasil em relação a fertilizantes importados. Para isso, articula uma série de iniciativas para diminuir a exposição do país a variações de preços internacionais, disputas geopolíticas e gargalos logísticos que afetam diretamente o agronegócio.

O PNF (Plano Nacional de Fertilizantes), o Profert, o PNM 2050 (Plano Nacional de Mineração 2050) e até uma nova estratégia da Petrobras para expandir suas unidades produtivas estão entre as iniciativas. 

Na prática, porém, o cenário de curto e médio prazo aponta na direção oposta. Analistas do setor projetam uma redução da produção nacional de fertilizantes fosfatados nos próximos anos, diminuindo ainda mais a oferta do fertilizante que, entre as principais categorias, é o que ainda apresenta a maior produção no país.

Capacidade instalada encolhe no curto prazo

Entre os nitrogenados (N), a produção interna supre apenas 3,1% da demanda nacional. Nos potássicos (K), a indústria local atende 2,9% do consumo do país. Já os fosfatados (P) são os menos críticos dos três, suprindo 30,5% do mercado interno. Ainda assim, enquanto as metas de longo prazo são traçadas, a capacidade produtiva instalada no país vem diminuindo. 

A Mosaic encerrou permanentemente as operações da unidade de Araxá (MG), posteriormente colocada à venda, e suspendeu temporariamente as atividades dos complexos de Tapira (MG) e Catalão (GO). 

Com essas medidas, a companhia deve reduzir sua produção de fertilizantes fosfatados em mais de 1 milhão de toneladas por ano, o equivalente a cerca de 30% de sua capacidade no Brasil. A empresa reconheceu perdas contábeis de até US$ 400 milhões.

A marroquina OCP, uma das maiores produtoras globais de fosfatados que exporta ao Brasil, também adiantou manutenções programadas em suas unidades. Segundo fontes do setor, os estoques da companhia já caíram cerca de 40%.

Segundo o Itaú BBA, entre janeiro e maio, o Brasil importou cerca de 600 mil toneladas de enxofre, volume 45% inferior ao registrado no mesmo período de 2025. No acumulado do ano até maio, as importações totais de fertilizantes somaram 15 milhões de toneladas, queda de 1,5%, refletindo principalmente a redução nas compras de nitrogenados e fosfatados, parcialmente compensada pelo maior volume de potássicos.

O gargalo do enxofre 

Cada um dos três principais grupos de fertilizantes do complexo NPK tem seu próprio gargalo de matéria-prima. O potássio esbarra na complexidade geológica das reservas brasileiras, e os nitrogenados dependem do custo do gás natural, insumo em que o país também não é competitivo frente a produtores como a Rússia. Já os fosfatados têm no enxofre seu principal insumo, e é justamente aí que mora o aperto atual.

Segundo Bruno Fonseca, analista de insumos do Rabobank, o custo do enxofre é o principal fator por trás da contração projetada na produção nacional de fosfatados. O preço do insumo, que já vinha em patamares recordes, está hoje próximo de US$ 1.200 por tonelada entregue no Brasil.

"A gente vai ter, sim, uma redução na produção nacional, não tem como fugir disso. O preço do enxofre já vinha em patamares recordes e hoje está próximo de US$ 1.200 por tonelada entregue no Brasil. Isso deve provocar uma redução considerável da produção de fósforo no país ou uma produção com custo muito elevado", afirma Fonseca.

O efeito prático, segundo o analista, é justamente o contrário do que se buscava com os planos discutidos ao longo deste ano como caminhos para reduzir a dependência externa do país: "Talvez a gente acabe importando mais fósforo."

Juros como variável decisiva

Para Fonseca, o entrave não é apenas o custo das matérias-primas, mas também o ambiente macroeconômico. Implementar uma nova planta de fertilizantes exige investimentos elevados, e o cenário de juros altos reduz a viabilidade desses projetos.

"A grande questão do Plano Nacional de Fertilizantes, na minha visão, será a taxa de juros. Implementar uma planta de fertilizantes exige investimentos elevados e, com juros altos, esses projetos acabam perdendo viabilidade", diz o analista.

A expectativa de Fonseca é que uma eventual redução das taxas de juros, combinada aos incentivos governamentais já em curso, possa destravar novos investimentos na produção nacional. "Uma vez que a gente observe essa taxa de juros cair, independentemente do governo, deve surgir uma necessidade de crescimento da produção", avalia.

cnnbrasil


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