Porto Velho (RO)09 de Setembro de 202614:43:18
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Diário da Amazônia

Prevenir os efeitos da crise climática é mais do que redigir um novo protocolo

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Planejar antes da emergência é uma obrigação do poder público diante de riscos conhecidos. A decisão de Rondônia de estruturar um plano de contingência climática para a saúde precisa ser analisada sob essa perspectiva: não como garantia de sucesso, mas como tentativa de substituir a improvisação por medidas antecipadas diante de um cenário que pode pressionar o Estado.

Os acontecimentos de 2024 ajudam a dimensionar o problema. O elevado número de queimadas e o aumento superior a 100% nos atendimentos de crianças com problemas respiratórios revelaram como uma crise ambiental pode virar crise sanitária. Quando os rios baixam, o transporte é afetado; cresce a procura por atendimento; quando a logística falha, comunidades podem ficar distantes dos serviços essenciais.

É nesse ponto que o planejamento ganha importância. Manter o abastecimento de medicamentos, a conservação de imunobiológicos, a distribuição de hemocomponentes e o funcionamento de equipamentos de diagnóstico são tarefas que raramente ganham visibilidade. Mas esses mecanismos são decisivos em situações críticas.

O plano também reconhece uma realidade de Rondônia: as desigualdades de acesso não desaparecem diante de uma emergência, apenas se tornam mais evidentes. Indígenas, ribeirinhos e quilombolas enfrentam obstáculos históricos no acesso à saúde. A prioridade prevista para esses grupos precisa, portanto, sair do documento e alcançar a rotina do serviço público.

Os dados climáticos citados no planejamento justificam a cautela. A possibilidade de persistência do El Niño até o início de 2027 e a previsão de chuvas abaixo da média em parte do estado recomendam preparação. Ainda assim, nenhuma política pública pode ser avaliada apenas pela qualidade de sua redação. O teste começa na execução.

Resta saber se haverá recursos, integração entre os municípios e condições logísticas para transformar as medidas previstas em ações concretas. A discussão e a validação do documento são etapas necessárias, mas não substituem investimentos e treinamento.

A prevenção costuma ser menos visível do que a resposta a uma calamidade. Seus resultados aparecem, muitas vezes, justamente no que deixou de acontecer. Essa lógica deveria orientar o debate. Rondônia acerta ao planejar com base em experiências recentes, mas terá de demonstrar que aprendeu com elas. Diante de eventos climáticos cada vez mais frequentes, esperar a crise chegar para só então reagir já não parece uma alternativa responsável. Prevenir evita custos e perdas maiores depois.

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