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Indicadores de vigilância epidemiológica não são sentenças sobre cidades nem retratos completos de suas populações, mas exigem leitura atenta. Porto Velho aparece na 10ª posição entre os municípios da Região Norte em índice composto de HIV e aids, com pontuação de 6,222. O dado, porém, não deve ser tratado como alarme automático.
Vilhena, na 17ª colocação regional, com 5,828, mostra que a análise precisa ir além da capital. O boletim nacional não apresenta uma lista individualizada dos 52 municípios de Rondônia. Essa limitação impede conclusões abrangentes sobre o estado. A ausência de uma cidade na tabela não significa ausência de casos, mas apenas que o recorte não detalhou seus números.
O indicador do Ministério da Saúde reúne detecção de novos casos, mortalidade por aids, ocorrência de HIV em crianças menores de cinco anos e média do primeiro exame de CD4. Marabá lidera a relação regional, com 7,241, enquanto municípios do Pará e Manaus aparecem à frente de Porto Velho. Por isso, comparações precisam considerar a metodologia e a população analisada.
Os dados estaduais indicam atenção. Rondônia registrou 459 novos casos de HIV em 2024, com taxa de 29,0 por 100 mil habitantes. Porto Velho teve 169 diagnósticos, contra 165 em 2023, e taxa estimada de 32,8 por 100 mil. Prevenção, testagem e acompanhamento não podem depender apenas de campanhas ocasionais.
Na transmissão vertical, Rondônia registrou 76 casos de HIV entre gestantes, parturientes e puérperas em 2024, com taxa de 3,5 por 1.000 nascidos vivos. Em 2014, eram 57 casos e taxa de 2,1. Os 49 registros de 2025, até 30 de setembro, ainda não permitem calcular uma taxa anual consolidada. Comparações apressadas podem distorcer o cenário.
O caminho responsável não é transformar o ranking em rótulo. Estigmatizar municípios ou pessoas que vivem com HIV pode afastar quem precisa do serviço de saúde. A cautela metodológica, por outro lado, não deve servir de argumento para inércia. Gestores precisam ampliar testes, garantir início rápido do tratamento e assegurar acompanhamento contínuo.
O SUS oferece tratamento gratuito, além de PrEP e PEP. Informação clara, sigilo e acolhimento são tão importantes quanto o medicamento. Dados de 2024 podem ser atualizados, e o Censo 2022 alterou a referência populacional. Ainda assim, há elementos para orientar a ação pública: planejar melhor, comunicar sem preconceito e ampliar o acesso antes que a infecção evolua para doença ou resulte em transmissão evitável e fortalecer a rede de atendimento estadual.
Diário da Amazônia