Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) passou mal novamente nesta segunda-feira (16/2) e está sendo monitorado, segundo seu filho o ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ). O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), já havia permitido que Bolsonaro receba médicos e assistência médica, 24 horas por dia.
"Fui informado há pouco que o presidente Jair Bolsonaro passou mal novamente hoje à tarde e segue sendo monitorado após o ocorrido. Infelizmente não tenho mais informações! Sem palavras!", escreveu em sua conta no X.
O ex-presidente está preso no 19º Batalhão de Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), conhecido como Papudinha. A defesa dele insiste no pedido de prisão domiciliar em caráter humanitário ao ministro do Alexandre de Moraes.
Em laudo apresentado à Justiça, o cirurgião-geral Claudio Birolini indicou que o histórico de Bolsonaro o submete ao risco de "descompensação súbita e de eventos cardiovasculares, respiratórios, infecciosos, metabólicos e traumáticos potencialmente fatais".
Para o médico, a domiciliar reduziria o risco das descompensações, melhoraria a adesão terapêutica e daria estabilidade psicológica a Bolsonaro. "A custódia carcerária eleva, de maneira concreta, o risco de descompensação aguda, pneumonia aspirativa, insuficiência respiratória, crises hipertensivas, eventos tromboembólicos, arritmias, novos traumatismos cranioencefálicos e até morte súbita", citou.
Birolini alegou que a domiciliar garantiria, por exemplo, "uso regular do CPAP (aparelho para distúrbios respiratórios de sono), controle rigoroso da pressão arterial e da hidratação, dieta fracionada, fisioterapia motora diária, medidas de prevenção de quedas, vigilância para broncoaspiração, acompanhamento oncológico de lesões cutâneas, monitorização laboratorial e acesso rápido a atendimento hospitalar".
Os advogados de Bolsonaro argumentaram que o próprio aparato montado pela Papudinha para receber o ex-presidente indicaria a inviabilidade de mantê-lo lá. "O 19º Batalhão não possui ambulatório médico próprio, de modo que, para viabilizar a permanência do peticionário (...), foi necessária a disponibilização de médico exclusivo e de unidade de saúde avançada do Samu", pontuou.
PF negou necessidade de prisão domiciliar
Em laudo divulgado na última sexta-feira (6/2), a Polícia Federal informou que a Papudinha "não conta com ambulatório médico ou corpo de saúde próprio". Entretanto, os peritos observaram que, caso haja necessidade de atendimento de urgência, o helicóptero da PMDF pode ser acionado, inclusive para uma eventual transferência de Bolsonaro para o hospital.
A perícia oficial concluiu que o quadro de saúde de Bolsonaro é estável e que não há necessidade de encaminhamento de urgência, por ora. "É inegável a presença de comorbidades crônicas que ensejam controle e acompanhamento. Tais comorbidades não ensejam, no momento, necessidade de transferência para cuidados em nível hospitalar", acrescentou.
A PF recomendou à PMDF apenas a instalação de grades de apoio em corredores e boxes e de campainhas de pânico e de monitoramento em tempo real na Sala de Estado-Maior, avaliação nutricional e dieta, prática regular de atividades físicas aeróbicas e resistidas e fisioterapia contínua com ênfase em força muscular e equilíbrio postural.
Moraes incumbiu a PF de fazer uma nova perícia médica de Bolsonaro após os advogados pedirem, pela quarta vez, a conversão do regime fechado em domiciliar humanitária. A defesa citou o exemplo do ex-presidente Fernando Collor de Mello e apontou que "o risco de quedas e a progressividade das enfermidades neurológicas" foram ponderados.
Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e 3 meses de prisão. A Primeira Turma do STF condenou o ex-presidente por golpe de Estado, tentativa de abolição violenta do Estado democrático de direito, organização criminosa armada, dano qualificado com grave ameaça ou violência ao patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado.
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