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SGC TV: Curta de Rondônia conquista público no maior festival de curtas do Brasil

Produção da Casa do Rio Filmes, "Kika Não Foi Convidada" está entre os 10 melhores filmes eleitos pela plateia do Kinoforum, em São Paulo


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Foto: Reprodução

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A menina chega à festa. Sorri. Tem balões, bolo e outros crianças correndo. Mas ela não é bem-vinda. Não pelo que fez. Pelo que é.

Essa é a cena que abre "Kika Não Foi Convidada", curta-metragem produzido em Rondônia que acaba de ser premiado no maior festival de curtas do país.

A produção da Casa do Rio Filmes ficou entre os 10 melhores filmes escolhidos pelo público no 37º Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo - o Kinoforum. Foram 260 produções exibidas na edição deste ano. Mais de 3.300 filmes se inscreveram.

O festival aconteceu entre 20 e 30 de agosto na capital paulista. As sessões do curta de Rondônia ocuparam salas tradicionais: Centro Cultural São Paulo, Cinemateca Brasileira e Museu da Imagem e do Som.

Uma história real

O diretor Juraci Júnior não inventou a história. Ele viveu uma cena parecida na infância. Viu uma colega ser expulsa de uma festa. A lembrança ficou. Trinta anos depois, ele reencontrou aquela pessoa. Conversaram. Decidiram que aquilo precisava virar filme.

"Quando criança, eu vi, de fato, uma criança ser expulsa de uma festinha de aniversário, e eu lembro que aquilo ficou muito marcado assim na minha memória", conta o diretor. "Depois de 30 anos eu consegui reencontrar essa pessoa e aí a gente conversou sobre contar essa história para que esse tipo de atitude não aconteça mais."

O filme acompanha Kika. Ela é negra. Mora na periferia. E descobre que não foi convidada para a festa por causa disso. Mas a história não termina na exclusão. A narrativa, conduzida por crianças, mostra como a amizade e o acolhimento podem aparecer onde menos se espera.

Elenco escolhido na periferia

As crianças que interpretam os personagens não vieram de agências de talentos. Foram selecionadas em oficinas teatrais realizadas em escolas de regiões periféricas. O critério era a espontaneidade. A produção queria naturalidade, não atuação.

O set de filmagem teve acompanhamento psicológico e pedagógico. A equipe seguiu um Manual de Conduta focado na proteção dos pequenos atores.

Andressa Silva, atriz que vive a professora Maria Luísa, destaca a energia das crianças durante as gravações.

"A criança naturalmente é quem ela é. Isso é um ensinamento para a gente adulto, que às vezes vai esquecendo de ser espontâneo e livre", afirma. "A energia da criança é uma energia de felicidade, de naturalidade. Ver as crianças sendo muito felizes em todo o processo de filmagem foi muito especial."

Representação da Amazônia

A presença de Rondônia no Kinoforum é rara. O estado aparece pouco entre os selecionados de um festival que já tem 37 edições.

Juraci Júnior comemora a conquista. Mas não só pelo filme.

"Eu acho que para além do filme Kika ser selecionada pelo voto do público como uma das melhores obras do Kinoforum, quem ganha mesmo é o cinema da Amazônia", diz. "É histórico ter Rondônia dentro desse festival. Rondônia também produz cinema, Rondônia também tem artistas."

O curta tem 15 minutos. É acessível. Libras, audiodescrição e legendas estão disponíveis em todas as exibições.

A trilha sonora também chama atenção. Traz uma versão de "Principia", música do rapper Emicida. O coral que gravou a faixa é formado por crianças de Porto Velho.

"Kika Não Foi Convidada" já havia recebido outras premiações antes de chegar ao Kinoforum.

Ganhou Menção Honrosa no 33º Festival de Cinema de Vitória, no Espírito Santo. Também recebeu Menção Honrosa no 7º FestCine Itaúna, em Caruaru, Pernambuco.

O projeto foi vencedor do 25º Laboratório de Projetos de Curta-Metragem do Festival Curta Cinema, no Rio de Janeiro. E foi contemplado pelo Edital nº 01/2024 da Sejucel, com recursos da Lei Paulo Gustavo.

O filme segue agora por mostras e festivais. A equipe já planeja os próximos passos. O objetivo, segundo o diretor, é um só.

"O filme traz a mensagem de combate ao preconceito e de acolhimento", resume Juraci Júnior. "Tudo isso a partir da perspectiva dos pequenos."

Natália Figueiredo - Portal SGC


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