Porto Velho (RO)09 de Fevereiro de 202619:01:25
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Saúde

Otorrino e pneumologista apontam os perigos de respirar pela boca

A otorrinolaringologista Juliana Caixeta e a pneumologista Ingrid Danielle Cardoso pontuam por que respirar pela boca gera prejuízos à saúde


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Foto de Annie Spratt na Unsplash

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O jornalista James Nestor viaja pelo mundo para descobrir "o que deu errado e como consertar". Em uma de suas andanças, o pesquisador verificou como o ato de respirar de maneira inadequada afeta significativamente a saúde. Ao analisar textos médicos e estudos de pneumologistas, ele elaborou o livro Respiração: A Nova Ciência de uma Arte Perdida.

"Não há nada mais essencial para a nossa saúde do que respirar: inspirar, expirar e repetir 25 mil vezes por dia. No entanto, como espécie, os humanos perderam a capacidade de respirar corretamente, com graves consequências", frisou James Nestor em um artigo. Além de passar por um experimento pessoal, ele avaliou os efeitos nocivos do ato feito pela boca.

Ao ser forçado a respirar pela boca enquanto dormia, o jornalista compartilhou apresentar episódios frequentes de apneia do obstrutiva do sono (AOS), ronco intenso, descanso fragmentado e alto nível de estresse durante o dia. Diante dos relatos do pesquisador, a coluna recorreu à expertise de duas médicas, sendo a pneumologista Ingrid Danielle Cardoso e a otorrinolaringologista Juliana Caixeta.

De acordo com a pneumologista do Hospital Albert Sabin, em São Paulo (SP), a respiração pela boca pode desencadear "vários prejuízos à saúde", porque não cumpre funções essenciais que o nariz exerce. As duas especialistas pontuam que o nariz filtra, umidifica e aquece o ar. Ingrid acrescenta a respeito da respiração nasal ajudar na defesa contra vírus, bactérias e partículas poluentes.

"Quando respiramos pela boca, o ar entra frio, seco e sem filtragem, o que sobrecarrega vias aéreas, pulmões e até o sistema cardiovascular ao longo do tempo", afirma a pneumologista.

A otorrinolaringologista complementa que respirar pela boca, além de gerar cansaço, deixa a via aérea mais ressecada e até os pulmões tendem a sofrer com o ar que chega sem o preparo adequado. Conforme Juliana, entre as condições de saúde decorrentes do ato feito pela boca, constam dores de garganta, crises de tosse, bronquite, asma e infecção.

Abaixo, a especialista Ingrid Danielle Cardoso menciona os quadros de saúde que podem ser desencadeados pela respiração bucal. Segundo ela, quando esse ato é crônico, tende a estar associado a:

- Ronco e distúrbios do sono, como apneia;

- Boca seca, mau hálito e cáries;

- Infecções respiratórias frequentes;

- Piora da asma e da rinite;

- Dor de garganta recorrente;

- Alterações na mastigação e na postura;

- Cansaço excessivo e dificuldade de concentração.

A médica que cuida de estruturas como nariz, garganta, ouvidos e cordas vocais esclarece que "a respiração ideal deve ser pausada e calma". "Se o seu respirar te incomoda e você a nota, é porque algo está errado. Respirar deve ser algo natural", garante a otorrinolaringologista Juliana Caixeta.



Marina Ferreira, Claudia Meireles - Metrópoles

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