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Rondônia

Fera culpa gabinete por assinatura em PEC, mas regimento da Câmara não prevê "voto por procuração"

Deputado de Rondônia diz que equipe agiu sozinha ao apoiar adiamento do fim da escala 6x1


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Foto: Câmara dos Deputados

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O deputado federal Rafael Fera (Podemos-RO) afirmou publicamente que a assinatura de apoio à emenda que adia o fim da escala 6×1 por dez anos foi um "erro interno" — cometido por um integrante do seu gabinete sem o seu conhecimento. Após a repercussão negativa em Rondônia, ele pediu a retirada do próprio nome da lista da PEC 221/2019.


O que o regimento diz

A justificativa do parlamentar, porém, se choca com o Regimento Interno da Câmara dos Deputados. O artigo 181 é claro: é vedada "qualquer forma de delegação ou voto por procuração". A regra vale para votações em Plenário e Comissões, mas o princípio se estende à assinatura de PECs — ato pessoal e indelegável do deputado.

Além do regimento interno, a Constituição Federal (art. 60, inciso I) estabelece que a iniciativa de uma PEC cabe exclusivamente aos membros da Câmara e do Senado, e não a servidores públicos, caso dos assessores.

PEC que pode atrasar em 10 anos fim da 6x1 contou com a assinatura de 5 deputados federais de Rondônia

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 229/19 — que na verdade é uma emenda a uma PEC mais antiga, de autoria do deputado Sérgio Turra (PP-RS) — recebeu 176 assinaturas, ultrapassando o mínimo exigido de 171, o que permite a apresentação formal votação na câmara dos deputados. 

A lista inicial de nomes contendo a assinatura de apoio a proposta contava com 5 deputados do estado: 

- Dep. Lucio Mosquini (PL/RO)

- Dep. Coronel Chrisóstomo (PL/RO)

- Dep. Dr. Fernando Máximo (PL/RO)

- Dep. Thiago Flores (UNIÃO/RO)

- Dep. Rafael Fera (PODE/RO)

O que diz o texto da PEC

A proposta original previa a redução da jornada para 36 horas semanais ao longo de 10 anos. Já o texto da emenda que recebeu as assinaturas muda completamente o sentido.

Críticos do projeto de emenda à Constituição passaram a divulgar que a proposta pode aumentar a jornada de trabalho. A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) afirmou em publicação feita na terça-feira (19) que a proposta pode aumentar a jornada de trabalho para 52 horas semanais, além de classificar a ação como uma "ataque ao direito dos trabalhadores".

Você pode conferir os principais pontos da PEC alvo de críticas clicando aqui.















Calil Machado - Portal SGC

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