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Na noite desta terça-feira (24), uma adolescente de 16 anos, identificada como Marta Isabelle, foi encontrada morta na Rua Afonso Brasil, setor chacareiro do bairro Jardim Santana, zona Leste de Porto Velho.
Vídeo: Adolescente de 16 anos é encontrada morta na zona Leste de Porto Velho
O caso, inicialmente tratado como possível desaparecimento, revelou um cenário de extrema crueldade. Segundo a Polícia Militar, a jovem teria sido submetida por cerca de dois meses a tortura e cárcere privado dentro da própria residência.
O pai, Callebe José da Silva, a madrasta, Ivanice Farias, e a avó paterna, Benedita Maria da Silva, foram presos. A ocorrência foi registrada como tortura com resultado em morte, cárcere privado, maus-tratos e omissão de socorro.
Tentativa de forjar desaparecimento
A madrasta acionou a Polícia Militar alegando que a enteada, supostamente desaparecida há dois meses, teria retornado para casa naquela manhã, muito debilitada, vindo a óbito horas depois.
Diante da situação, o SAMU foi acionado, juntamente com a Polícia Civil e a perícia do Instituto Médico Legal (IML). Enquanto aguardavam a chegada das equipes técnicas, os policiais realizaram entrevistas preliminares.

De acordo com a PM, Ivanice apresentou nervosismo e contradições sucessivas ao relatar que a adolescente teria chegado descalça, extremamente ferida e mal conseguindo falar. Ela não soube explicar por que a polícia só foi acionada no dia da morte.
Vizinhos relataram que não viam Marta Isabelle desde a semana do Natal. Sempre que questionados, os responsáveis afirmavam que a adolescente estaria em retiro da igreja ou na casa de familiares. Nenhuma das pessoas ouvidas tinha conhecimento de registro formal de desaparecimento.
Estado do corpo chocou autoridades
A perícia descartou a versão apresentada pela madrasta. O corpo da jovem apresentava sinais de desnutrição severa, dentes quebrados, múltiplas lesões, fratura exposta no braço (rádio), fratura na clavícula e feridas profundas nas costas — características compatíveis com longos períodos sem mobilidade.
Em um dos ferimentos foi constatada a presença de miíase (larvas). Segundo o laudo preliminar, a gravidade das lesões tornava impossível que a adolescente tivesse condições físicas de caminhar, como alegado.
Nos fundos da chácara, policiais encontraram uma fogueira ainda acesa. Ao apagarem as chamas, localizaram grande quantidade de fraldas descartáveis e roupas da vítima sendo queimadas. O volume do material indicava que a jovem permanecia na residência há semanas ou meses em estado de total dependência.
Confissão do pai
Inicialmente, a avó paterna afirmou que o filho, pai da adolescente, não tinha conhecimento da situação. No entanto, a versão foi desmentida após a confissão de Callebe José da Silva.
Ele admitiu que passou a manter a filha em cárcere após uma suposta fuga meses atrás. Para impedir novas saídas, declarou que a amarrava à cama utilizando fios elétricos, colocando panos sob os fios antes de apertar os nós.
O pai não soube explicar a origem das fraturas expostas nem o estado avançado dos ferimentos. Disse apenas que cortou o cabelo da filha porque ela estaria com piolhos.
Histórico de maus-tratos
O depoimento de Quefane Vitória, filha da madrasta, confirmou que a adolescente já sofria maus-tratos constantes dentro de casa. Familiares de Ivanice também corroboraram essa informação.
O caso segue sob investigação da Polícia Civil.
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