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PORTO VELHO - Um casal suspeito de gerenciar um esquema de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro foi preso pela Polícia Militar nesta quinta-feira (5), no Bairro Socialista, zona Leste da capital. Italo Renan Rodrigues Soares, conhecido como "Renan do CV", e sua esposa, Maria Rosangela dos Santos de Carvalho, a "Rosa", são apontados como membros de uma organização criminosa e mantinham um sistema de monitoramento sofisticado para vigiar a vizinhança.
O "QG" do Tráfico
A operação teve início após denúncias anônimas de moradores que, temendo represálias, relataram que uma distribuidora de bebidas na Rua Rosa Pinto servia apenas como fachada para a venda de entorpecentes. Segundo os relatos, o casal intimidava a vizinhança, afirmando que qualquer denúncia resultaria em mortes ordenadas pela facção à qual pertencem.
Ao chegarem ao local, os policiais cercaram o imóvel e flagraram Renan tentando fugir para o quintal. Durante a tentativa de escape, ele foi visto arremessando objetos sobre os telhados vizinhos. Apesar do apoio de cães farejadores do Batalhão de Choque (K9), o material jogado não foi recuperado.
Monitoramento e Coação Familiar
No interior da residência, os agentes encontraram um sistema de câmeras que cobria toda a rua e os fundos do imóvel, com as imagens transmitidas diretamente para o quarto do casal. Em uma busca detalhada, acompanhada pela advogada dos suspeitos, a polícia apreendeu uma porção grande de maconha, dinheiro trocado e "loló".
Um dos pontos mais alarmantes da ocorrência foi o depoimento da mãe de Maria Rosangela. Proprietária do imóvel, a idosa relatou aos policiais que vive sob constante ameaça de morte da própria filha para que não interfira no comércio de drogas. Doente, ela afirmou não ter forças para impedir a ocupação da casa pelos criminosos.
Indícios de Lavagem de Dinheiro
Embora não possuam renda declarada, o casal ostentava um padrão de vida incompatível com a realidade financeira formal. No local, foram apreendidos carnês de financiamento de veículos de luxo — incluindo uma caminhonete Chevrolet S10 e uma motocicleta BMW — em nome de terceiros, com parcelas que somam mais de R$ 6 mil mensais.
Um caderno com anotações de transações financeiras de altos valores também foi recolhido e deve ajudar a Polícia Civil a rastrear a movimentação bancária da organização.
Hostilidade na Delegacia
Mesmo após a prisão, Italo Renan manteve o tom de ameaça, direcionando ofensas ao comandante da guarnição e prometendo retaliações. O suspeito já possuía histórico criminal recente: em novembro de 2025, o mesmo local havia sido fechado pela PM, ocasião em que um comparsa de Renan foi preso operando máquinas de cartão registradas no nome do próprio suspeito.
O casal foi encaminhado à Central de Polícia e responderá pelos crimes de tráfico de drogas, associação para o tráfico, ameaça e possível lavagem de dinheiro.
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