Rondônia negligencia atendimento de mulheres em situação de violência doméstica
Foto: Reprodução/RedeTV/SGC
Mulheres em situação de violência doméstica dizem ter atendimento negligenciado em Rondônia. Como o caso da Ana (nome fictício), mesmo há seis meses separada ainda não conseguiu escapar das agressões do ex.
A vítima contou que os abusos começaram de forma verbal e escalaram para empurrões e puxões de cabelo. A mulher então decidiu dar um basta e se separou do agressor.
"A gente discutia várias vezes em casa. A gente já teve empurrões, puxões de cabelo, outras vezes, agressões verbais. Já era constante, devido às brigas a gente já estava desgastado, já não queria mais contato. Eu me sentia muito vulnerável, é muito triste porque você fica doente psicologicamente", disse.
A vítima contou que mesmo após a separação ainda continuou a ser vítima de agressões do ex-companheiro. A vítima lembra que em uma ocasião o ex com um cúmplice a imobilizaram para cortar o cabelo dela.
"Eu fui deixar meu filho na escola às 13h, por volta das 14h ao retornar, eu vi o carro dele, mas não imaginei que seria seguiria. Quando chego em casa e vou abrir o portão, ele encosta com o carro atrás da minha moto, com um colega. Ele me constou na parede dentro de casa, eu tentei gritar e sair, o rapaz amordaçou minha boca. Ele estava com uma máquina querendo cortar meu cabelo, e ainda conseguiu cortar. Eu consegui quebrar a máquina, então ele tirou uma faca e conseguiu cortar meu cabelo com a faca. Eu consegui gritar, os vizinhos chamaram a polícia, mas a polícia chegou bem depois", disse.
A vítima então foi em busca de ajuda na Delegacia, mas não conseguiu. Há um ano, o governo de Rondônia prometeu atendimento prioritário a mulheres vítimas de violência, assegurando acolhimento nas delegacias, orientações sobre a lei maria da penha e a oportunidade de requerer medidas protetivas.
"É uma justiça muito falha, muito falha. É Maria da Penha, proteção a mulher, isso aí é tudo falho. Porque pede para chamar a Polícia Militar, e não resolve. Eles pedem para registrar a ocorrência, vai precisar registrar quantas ocorrências? Fui à delegacia da Avenida Amazonas, que lá é a Delegacia da Mulher, cheguei lá e falaram que a delegada só ficava até 13h. Quer dizer que só pode fazer ocorrência até uma hora da tarde? E a parte da tarde e à noite? O que você resolve? Na minha cabeça deveria ser como na Delegacia de furtos e roubos, com atendimento 24 horas. Na minha imaginação a proteção das mulheres deveria ser isso, você chega lá e é amparada, você tem um psicólogo, também uma pessoa para lhe guiar, fazer o corpo de delito, fazer tudo isso", disse.
Para garantir a segurança e a do filho, Ana (nome fictício) precisou recorrer ao MP-RO (Ministério Público de Rondônia), onde foi atendida na sala lilás, um espaço destinado a mulheres em situação de violência doméstica. No MP foi constatado medidas protetivas anteriores, evidenciando o descumprimento por parte do agressor.
A sala lilás é um importante recurso para mulheres que se veem sem opções diante da violência doméstica, oferecendo apoio e orientação em momentos de desespero. Segundo a promotora Tânia Garcia, esse serviço é fundamental para mulheres que não sabem mais a quem recorrer.
Por fim, o MP-RO tomou providências para garantir a segurança da vítima. O SGC entrou em contato com o Governo do Estado, mas ainda não obteve resposta.
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Portal SGC