Porto Velho (RO)03 de Agosto de 202620:38:54
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Menina de 6 anos morre após terapia genética experimental na China

Identificada apenas como Mei, a menina morreu dias depois de receber um tratamento destinado a corrigir uma mutação genética


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Reprodução TED Talk

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Qiu Zilong, um neurocientista chinês de 49 anos, está sendo investigado pela Universidade Jiao Tong de Xangai, na China, na qual trabalha, após a morte de uma menina de seis anos, que teria sido vítima de uma terapia experimental de edição genética.

Apesar de o caso ter acontecido há mais de um ano - em março do ano passado. Mas a universidade só resolveu iniciar a investigação após a morte da criança vir a público na semana passada, com a divulgação de um relatório da revista Science em conjunto com a Retraction Watch, ONG que monitora pesquisas.

Identificada apenas como Mei, a menina morreu dias depois de receber um tratamento destinado a corrigir uma mutação genética que afetava seu neurodesenvolvimento.

"Sete dias após a equipe médica da menina ter infundido trilhões de vírus contendo a receita para o editor de bases em seu líquido cefalorraquidiano, ela morreu de uma grave reação imunológica relacionada à terapia", informou o relatório.

Segundo o South China Morning Post, até o momento o Hospital Xinhua, afiliado à universidade, só havia pago uma multa de apenas 24 mil yuans (ou US$ 3,5 mil) às autoridades de saúde locais, em setembro passado. Valor muito aquém do arrecadado pela própria família da criança (US$ 860 mil) para a realização do ensaio clínico.

Segundo documentos fornecidos pelos pais, o hospital permitiu que o julgamento de Qiu acontecesse segundo uma disposição regulamentar que não exige aprovação dos órgãos reguladores nacionais. "Tomar conhecimento da realidade dessas medidas de segurança ausentes mudou fundamentalmente a forma como agora vemos todo o projeto", disse o pai da vítima à revista Science.

Agora, a instituição de ensino resolveu entrar no caso: "A faculdade de medicina sempre valorizou a integridade e os padrões da pesquisa e se opõe resolutamente à pesquisa médica que viole a ética e os regulamentos de pesquisa", afirmou, em comunicado.

Ao South China, Qiu se recusou a comentar o caso e disse que "todas as respostas serão fornecidas pelos líderes ".

  • O que Mei tinha era a síndrome de Snijders Blok-Campeau, condição genética identificada em menos de 300 pessoas no mundo. Ela resulta de uma mutação que interrompe a função de uma proteína essencial do DNA, causando deficiências físicas e cognitivas, que se assemelha ao transtorno do espectro autista.

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