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O Senado vota nesta quarta-feira (14), em dois turnos, a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que prevê o fim da escala de trabalho 6x1. A proposta encerra a etapa de debates no plenário e pode avançar ainda nesta quarta para a análise dos senadores, segundo apuração da analista de Política da CNN Isabel Mega, ao Bastidores CNN.
Para que a votação em dois turnos ocorra na mesma data, é necessário reunir ao menos 54 assinaturas para encurtar o intervalo entre as votações. Segundo a analista, o governo diz que conseguiu superar essa marca, reunindo 57 apoios — mais do que o mínimo exigido.
"Não adianta votar só uma vez e depois não ter apoio suficiente para quebrar o intervalo e acelerar como veio a determinação do Palácio do Planalto", explicou Isabel Mega.
Articulação política e próximos passos
Segundo a analista, o governo vinha buscando as assinaturas desde a semana passada, quando o Congresso retomou as atividades. Na terça-feira (13), informações já indicavam que o número necessário havia sido alcançado, e o anúncio oficial foi feito nesta quarta-feira (14).
Para a aprovação da PEC em si, são necessários ao menos 49 votos, por se tratar de uma Proposta de Emenda à Constituição. O governo avalia que já tem votos suficientes para aprovar a matéria nos dois turnos.
Caso a votação seja concluída ainda nesta quarta (14), o governo pretende aproveitar o embalo para votar também a PEC da Segurança Pública e trabalhar com a ideia de promulgação o quanto antes — podendo ocorrer ainda nesta semana ou na semana seguinte.
A perspectiva é de realizar um ato simbólico próximo ao segundo turno das eleições presidenciais, marcado para o dia 25 de outubro. Paralelamente, o governo monitora estratégias da oposição para tentar obstruir a votação, e senadores governistas se reuniram no final da manhã para elaborar contramedidas.
Flávio Bolsonaro e o empresariado
A votação da PEC ocorre em meio à disputa do segundo turno das eleições presidenciais, com o tema no centro das campanhas. Segundo a analista de Política da CNN Larissa Rodrigues, Flávio Bolsonaro (PL) participou de um jantar com empresários na véspera da votação, após ter admitido um voto favorável ao fim da escala 6x1.
No encontro, o empresariado demonstrou insatisfação com o posicionamento de Flávio, que, segundo relatos apurados, tentou desviar o assunto para temas como corte de gastos, investimentos e queda de juros.
Questionado diretamente, Flávio Bolsonaro disse que estava sendo cobrado pelo eleitorado, mas que, caso eleito, voltaria a ouvir os empresários e poderia revisitar a pauta. A resposta, porém, não foi bem recebida.
"Isso causaria uma insegurança jurídica", foi a preocupação levantada pelos presentes, segundo a apuração. A equipe jurídica de Flávio Bolsonaro ainda não havia respondido sobre como seria possível revisitar a proposta após sua aprovação e eventual entrada em vigor.
CNN Brasil