A Polícia Civil da Bahia instaurou investigação contra Rodrigo Constantino, 50, após o influenciador proferir falas ofensivas contra o estado depois das eleições de domingo (4).
Logo após o resultado do pleito nacional, em que o atual presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) obteve maioria entre eleitores baianos, Constantino foi às redes sociais dizer que o estado é "o câncer do Brasil" e uma "vergonha nacional".
"Já fui algumas vezes, a trabalho e a lazer. Salvador é um lixo. Fui para o interior fazer uma feira literária e fiquei chocado. Segunda-feira, às 11h da manhã, um bando de gente nos barzinhos, com violão e cerveja, ninguém quer trabalhar", disse.
Depois, ele ainda criticou a vitória do governador eleito Jerônimo Rodrigues (PT) e de Rui Costa e Jaques Wagner, também petistas, ao Senado Federal. "Baianos, com todas as boas exceções, em geral, vocês são uma vergonha. Que papelão", completou.
À CNN Brasil, a polícia afirmou que vai apurar as circunstâncias e eventuais responsabilidades relacionadas à divulgação do conteúdo de Constantino e de outras manifestações que possam ser discriminatórias contra a população baiana.
"As diligências seguem sob o acesso restrito, para preservar a apuração. A Polícia Civil reafirma seu compromisso com o enfrentamento à discriminação e com uma atuação técnica, imparcial e pautada na legalidade", informa a autoridade na nota.
Depois da repercussão do vídeo, o influenciador se manifestou nas redes sociais ao dizer que o conteúdo anterior havia sido apenas uma crítica a respeito de "tendências culturais" e fez uma comparação a uma suposta fama do Rio de Janeiro.
"O baiano que se sentiu atingido provavelmente é parte do PT. O carioca é malandro? Eu não, mas em geral existe um traço social que é associado ao Rio, que é a malandragem. É um recado para aqueles que insistem em deturpar e distorcer. Não xinguei baianos, disse que Salvador é um lixo para mim, assim como boa parte do Rio."
Procurado pela CNN Brasil, Constantino disse querer se desculpar com os baianos que se sentiram ofendidos e que o "desabafo" foi feito tendo em vista seu posicionamento contra o PT, mas que tem direito a ter opiniões sobre diferenças culturais. Por áudio, ele disse "não ligar" por ser investigado e que "o uso da palavra 'câncer' pode ter sido agressivo e mal interpretado."
"Acho que é um modelo fracassado em que o PT explora o povo baiano, que precisa se libertar dessas amarras demagógicas. Eu mesmo critico muito o meu Rio de Janeiro e nunca, como carioca, me senti atingido por criticar uma certa postura de, digamos, malandragem do Rio de Janeiro. Então, vai na mesma linha", afirmou.
"A Bahia tem traços culturais associados à preguiça, coisa e tal, e que talvez tenha levado aí a esse modelo de dependência demais das migalhas do Estado e que cria uma espécie de voto de cabresto da era moderna. E eu ter a opinião pessoal de que Salvador é um lixo é um direito absolutamente meu, né. Também acho um monte de partes do Rio de Janeiro uma porcaria e quero justamente melhorar. É para isso que eu luto a minha vida toda", completou.
CNN Brasil