BRENO ESAKI/METRÓPOLES
Os Correios encerraram o primeiro trimestre deste ano com um déficit de R$ 3,1 bilhões, de acordo com informações divulgadas pela companhia no último sábado (30/5). O déficit ocorre quando as saídas de dinheiro superam as entradas em um determinado período.
O resultado do período entre janeiro e março de 2026 representa um crescimento de 82,35% em relação ao déficit registrado no primeiro trimestre de 2025, que foi de R$ 1,7 bilhão.
No ano passado, o rombo nos Correios atingiu R$ 8,5 bilhões - mais que o triplo do prejuízo registrado em 2024, de R$ 2,6 bilhões.
O último ano em que os Correios tiveram resultado positivo em um primeiro trimestre foi 2022.
Desde então, os Correios registraram déficits de R$ 328 milhões (no primeiro trimestre de 2023), R$ 801 milhões (2024), R$ 1,7 bilhão (2025) e R$ 3,1 bilhões (2026).
O que diz a empresa
Em nota que acompanhou a divulgação dos resultados, no fim de semana, os Correios afirmaram que "o déficit registrado, de R$ 3,1 bilhões, ficou abaixo da projeção originalmente prevista para o trimestre, evidenciando evolução nas ações voltadas à recuperação do equilíbrio econômico-financeiro da estatal".
"A gestão rigorosa dos custos e a otimização das despesas operacionais contribuíram diretamente para a redução do déficit projetado, em linha com as diretrizes do plano, que prevê melhoria progressiva dos indicadores econômico-financeiros ao longo dos próximos exercícios", afirma a estatal.
Os Correios dizem ainda que "seguem avançando na implementação das ações estruturantes previstas no Plano de Reestruturação, incluindo medidas voltadas ao fortalecimento da saúde financeira da empresa, à modernização tecnológica da malha logística e à capacitação da força de trabalho".
"O objetivo é assegurar que a empresa retome o equilíbrio econômico-financeiro e volte a apresentar resultado líquido positivo ao final de 2027, consolidando a transformação dos Correios em uma plataforma de serviços moderna, ágil e integrada à economia digital, a serviço da população brasileira", completou a companhia.
Entenda a situação dos Correios
Nos últimos anos, a estatal passou por uma queda de receitas em segmentos tradicionais, aumento de custos operacionais e perdas logísticas.
O crescimento do e-commerce ajudou parcialmente na demanda, mas não foi suficiente para compensar gargalos estruturais, investimentos não realizados e a expansão da concorrência privada. Agora, a empresa busca um plano de reestruturação sólido para se recuperar.
No fim do ano passado, a empresa apresentou um plano de reestruturação de três fases. A primeira etapa prevê que a estatal deve recuperar a liquidez do saldo da empresa a partir do empréstimo de R$ 12 bilhões firmado com cinco instituições financeiras.
A segunda fase acontecerá entre 2026 e 2027 e terá reorganização e modernização da companhia. Entre as medidas anunciadas, estão o Programa de Demissão Voluntária (PDV) de 10 mil funcionários, o fechamento de cerca de mil unidades dos Correios em todo o país e a revisão dos cargos de média e alta remuneração em unidades táticas e estratégicas e dos planos de saúde e previdência.
Já a terceira e última fase será focada em modernização e deve se estender ao longo de 2027. A estatal vai buscar consolidar um novo modelo de negócios focado em inovação, parcerias e novas fontes de receita.
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